O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou à última hora os ataques que tinha aprovado contra o Irão, mas avisou Teerão que um ataque “está iminente”. Já a operação estava em curso, com aviões no ar e navios prontos, quando Trump decidiu voltar atrás.

Na quinta-feira à noite, o presidente norte-americano mandou cancelar a investida que tinha aprovado anteriormente contra o Irão. Aviões e navios carregados de mísseis estavam preparados para responder ao abate do drone militar dos EUA na quinta-feira, mas acabaram por ficar em terra.

Esta sexta-feira, escreve a Reuters, Trump enviou uma mensagem a Teerão, via Omã, avisando que o ataque está iminente, deixando cair por terra a possibilidade de este recuo significar um final nas ameaças. Parece, por sua vez, tratar-se de um adiamento por questões estratégicas.

Na sua mensagem, Trump disse que era contra qualquer guerra com o Irão e queria conversar com Teerão sobre vários assuntos”, contou um oficial iraniano àquela agência de notícias. “Ele deu um período de tempo reduzido para que respondêssemos, mas o Irão assumiu imediatamente que a decisão em relação a este assunto cabe ao Líder Supremo [Ayatollah Ali] Khamenei”.

A acontecer, esta será a terceira ação militar contra alvos no Médio Oriente desde a administração Trump, que já atacou a Síria em 2017 e 2018.

Um segundo oficial do Irão contou à Reuters que, em conversações com Omã, ficou o aviso de que um ataque norte-americano terá consequências globais.

Deixámos bem claro que o Líder é contra quaisquer conversações, mas a mensagem ser-lhe-á entregue para que possa tomar uma decisão… Contudo, já avisámos Omã de que qualquer ataque contra Teerão terá consequências regionais e internacionais”, sublinhou o oficial iraniano.

Nos Estados Unidos, em debate intenso na Casa Branca, republicanos esperavam uma resposta de Trump ao abate do drone enquanto os democratas avisavam o presidente das consequências do ataque militar agendado para as 19:00 horas desta quinta-feira.

Já em reação ao cancelamento da investida, a Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, que esteve na reunião confidencial na Casa Branca com outros líderes do Congresso, disse que a administração Trump devia “fazer tudo o que estiver ao alcance para baixar a escalada” com o Irão.

Chuck Schumer, Senador norte-americano, disse recear que os EUA “pudessem acabar numa guerra”. Afirmou ter dito ao presidente que devia haver “um debate aberto” e que o Congresso devia ter algo a dizer.

O presidente dos Estados Unidos considerou que o regime de Teerão cometeu “um enorme erro” quando decidiu abater o drone norte-americano na quinta-feira.

O diferendo entre os Estados Unidos e o Irão dura há bastante tempo e a crispação está a aumentar desde que o Presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos, há um ano, do acordo nuclear internacional assinado em 2015 entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China (mais a Alemanha) – e o Irão, restaurando sanções sobre a economia iraniana.

João Ferreira Pelarigo