A noite eleitoral norte-americana poderá transformar-se numa longa “semana eleitoral”. É este o cenário que está, agora, em cima da mesa, numa altura em que ainda falta apurar votos em Estados que são decisivos para este escrutínio e cujos resultados não deverão ser conhecidos até sexta-feira. Donald Trump conquistou vitórias importantes em Estados como o Texas, a Florida e o Ohio. Mas Joe Biden é quem lidera a contagem e até já conseguiu uma surpresa: roubar o Arizona.

Até ao momento, o democrata Joe Biden lidera a contagem dos votos para o Colégio Eleitoral norte-americano, com 224 delegados (Trump reúne 213 delegados). Contudo, a margem é curta e o sentido destas eleições ainda poderá inverter-se.

De resto, o próximo presidente dos Estados Unidos poderá não ser conhecido até sexta-feira, uma vez que o Wisconsin, o Michigan e a Pensilvânia, que fazem parte do leque de Estados decisivos, já fizeram saber que não vão conseguir anunciar resultados nas próximas horas. 

No caso da Pensilvânia, a comissária eleitoral de Filadélfia já anunciou que apenas 75.000 dos 350.000 votos recebidos por correio serão considerados na primeira fase da contagem. Lisa Deeley, que falava numa conferência de imprensa após o encerramento das assembleias de voto, disse que 275 mil votos recebidos por antecipação não vão aparecer na contagem final até quarta-feira ou mesmo até final da semana. A Pensilvânia representa 20 votos no Colégio Eleitoral. Nas eleições de 2016, Trump venceu neste Estado com uma margem de apenas 44 mil votos sobre Hillary Clinton.

Trump conquistou importantes vitórias em Estados de peso como o Texas (38 delegados), a Florida (29 delegados) e o Ohio (18 delegados).

No Texas, ao início da noite, as primeiras projeções apontavam para uma "onda azul" invulgar num Estado de tradição republicana. Mas no final, e após uma disputa renhida, o Texas acabou por continuar vermelho. A competição também esteve taco a taco an Florida, mas Trump voltou a vencer neste Estado, como já tinha acontecido há quatro anos.

Os dois candidatos estão também muito próximos na Geórgia e aqui ainda não se sabe quem saiu vitorioso, apesar de Trump apresentar vantagem.

Já é possível, porém, destacar que haverá uma mudança em relação a 2016 e que essa surpresa é favorável a Biden: o democrata roubou o Arizona a Trump - há quatro anos este Estado deu os seus 11 delegados ao Partido Republicano.

Numa curta declaração aos eleitores, esta noite, Biden mostrou-se otimista. O candidato democrata lembrou que já se sabia que a contagem poderia demorar por causa da votação antecipada "sem precedentes" e apelou aos eleitores para “manterem a fé”.

Porém, logo depois, Trump reclamou vitória em Estados onde a disputa ainda está em aberto e afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal para que "a votação pare". O republicano disse que o Partido Republicano ganhou as eleições e falou numa "fraude para o público americano":

Queremos que a lei seja usada da maneira apropriada. Vamos para o Supremo Tribunal, queremos que a votação pare", vincou.

Democratas mantêm controlo da Câmara dos Representantes

Apesar do ambiente de grande incerteza, já se sabe que o Partido Democrata vai conquistar o número suficiente de mandatos para manter o controlo da Câmara dos Representantes nos próximos dois anos. De resto, os democratas até poderão reforçar a maioria com quatro ou cinco lugares adicionais, de acordo com as projeções da NBC News e da Fox News.

Estão em causa 435 lugares da Câmara dos Representantes, uma das duas câmaras do Congresso.

Desde janeiro de 2018 que a Câmara é controlada pelos democratas, com 232 mandatos contra os 197 dos republicanos, que controlam o Senado. São necessários 218 lugares para controlar a Câmara dos Representantes.

Sofia Santana