Donald Trump permanece determinado a defender a construção de um muro, mesmo quando isto já lhe custou a paralisação parcial do governo ("shutdown", no termo original). Mas nem sempre terá sido assim: um vídeo antigo, que emergiu esta quarta-feira nas redes sociais, mostra o líder norte-americano a falar sobre um “muro de betão” e como ele deve ser ultrapassado e contornado.

O vídeo em causa foi publicado pelo talk-show humorístico Daily Show, apresentado por Trevor Noah ,e já foi partilhado milhares de vezes.  É um excerto de um discurso que Trump deu, em 2004, no colégio privado Wagner College, em Staten Island, Nova Iorque.

Neste vídeo, o magnata do imobiliário inspira a plateia a não se deixar demover por um “muro de betão” que possa surgir no caminho, defendendo que este deve ser “ultrapassado”, “contornado” de alguma maneira porque é preciso “chegar ao outro lado do muro”.

Nunca, nunca desistam. Não deixem que isso aconteça. Se há um muro de betão à vossa frente, ultrapassem-no, contornem-no. Mas sigam para o outro lado do muro”, declarou Trump.

Quinze anos passaram e agora, Trump, presidente dos Estados Unidos, defende, a todo o custo, a construção de um muro na fronteira com o México.

Bem, quando Trump tiver o seu muro construído ele só espera que ninguém mostre ao México este vídeo antigo que encontramos”, escreveu o programa Daily Show na legenda que acompanha o vídeo.

 

O governo norte-americano está em shutdown desde o dia 22 de dezembro pela inexistência de um acordo no Congresso para financiar o muro.

Na terça-feira, o presidente norte-americano falou ao país justificando a construção do muro com razões de segurança e uma "crescente crise humanitária", pressionando os democratas a assumirem um acordo para o financiamento. Trump chegou mesmo a dizer que a imigração ilegal é uma "crise de alma".

Um dia depois, reuniu-se com os líderes do Congresso, mas abandonou o encontro sem qualquer acordo. Trump perguntou à presidente daquele órgão, Nancy Pelosi, se ela concordava em financiar o muro e quando esta respondeu "não", levantou-se e disse: “Então não temos mais nada para discutir”.

De acordo com a CNN, Trump não quer sair fragilizado da situação e os democratas, convictos de que têm razão, mantêm uma posição firme sobre o assunto. Por isso, não se vislumbra uma solução para a crise que deixa centenas de milhares de funcionários públicos sem ordenados. 

Sofia Santana