O Boletim dos Cientistas Atómicos apresentou anunciou as horas do simbólico “Relógio do Juízo Final” para 2019. Tal como em janeiro do ano passado, este ano continuamos a dois minutos da meia-noite, ou seja, a apenas dois minutos da grande catástrofe.

A justificar esta marcação dos ponteiros, os especialistas apresentam o colapso dos tratados de controlo de armas, a intenção dos EUA e da Rússia em modernizarem os respetivos arsenais de armas nucleares em vez de procurarem a desmantelação e ainda a falta de vontade política em combater as alterações climáticas.

Além de 2018 e deste ano, a última vez em que o relógio esteve tão perto da meia-noite foi há mais de 50 anos, em 1953 nos primórdios da Guerra Fria.

Somos como passageiros do Titanic a ignorar o icebergue à nossa frente, desfrutando da boa música e da boa comida”, afirmou Jerry Brown, antigo governador da Califórnia, nos Estados Unidos, agora Presidente do Conselho de Administração do Boletim, citado pelo The Guardian.

É tarde e está a ficar cada vez mais tarde. Temos que acordar as pessoas. E isso é o que eu pretendo fazer”, sublinhou.

A presidente do Boletim, Rachel Bronson, acredita que não deve ser retirado nenhum tipo de conforto do facto de o relógio não ter mexido os ponteiros em relação ao ano passado.

Este facto vem do momento em que os EUA procuraram ter um papel de liderança na definição e apoio a acordos globais que visassem um planeta mais seguro e saudável”, adiantou.

Tal como a especialista, também o antigo secretário da Defesa dos EUA William Perry se refere, por exemplo, ao encontro em Donald Trump e Kim Jong-un, que terá amenizado as relações entre os países, mas não levou ao desmantelamento das armas nucleares da Coreia do Norte. Exemplo também para o facto de os EUA terem admitido suspender o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário a 2 de fevereiro.

Isto “descreve um momento em que os factos estão a tornar-se indistinguíveis da ficção, diminuindo as nossas capacidades para desenvolver e aplicar soluções para os grandes problemas dos nossos dias”, destacou a presidente.

Brown comentou, na noite da passada quarta-feira, a descisão de Trump sair do acordo de Paris, um tratado com responsabilidades sobre o clima, afirmando que não se pode combater os problemas com eficácia sem o apoio da Casa Branca.

Acho que a resposta política é alarmante”, disse Brown. “Estamos perante um muito má situação no que toca ao clima e isso vai fazer com que mais migrantes tentem passar a fronteira e se crie maior instabilidade política”, concluiu o antigo governador.

/ JFP