Ser-se princesa nem sempre é sinónimo de uma vida cor de rosa e feliz. Sheikha Latifa bint Mohammed al-Maktoum, filha do Sheik Mohammed bin Rashid al-Maktoum, primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, desde os seus 25 anos que planeava uma fuga da prisão dourada. Agora, com 32, tentou fugir num iate com destino a Goa, mas foi capturada por três homens armados, que pertenciam aos comandos, a 30 milhas da costa indiana, noticia o jornal britânico The Guardian.

Toda a planificação, os esboços e a organização desta fuga deu origem a um documentário da BBC, intitulado "Escape From Dubai" ("Fuga do Dubai", numa tradução para português). O filme revela que Sheikha contou com o apoio de uma ex-espia francesa e de uma professora de capoeira finlandesa, naquela que foi mais uma tentativa falhada de encontrar uma vida melhor.

Num vídeo gravado antes da fuga, e que só seria publicado caso esta corresse mal, a princesa afirmou que já tinha tentado fugir anteriormente, mas fora capturada na fronteira. Nesse vídeo, revela que esteve presa durante três anos, tendo sido espancada e torturada. 

Se tu estás a ver este vídeo, isto não é uma coisa boa, ou sou morta ou fico numa situação muito, muito, muito má”, apela no vídeo.

Este cenário de terror descrito pela princesa não é novidade na história desta família. Sheikha é a segunda filha do Governador que tentou fugir a uma vida prisioneira. Shamsa, irmã mais velha, também foi presa nas ruas de Cambridge, em 2000, depois de ter tentado fugir. Este sequestro nunca foi investigado pela polícia britânica.  

Sheikha procurou por Hervé Jaubert, um ex-oficial da Marinha, porque tinha lido na internet que este tinha conseguido escapar do Dubai depois de ter tido alguns problemas com as autoridades locais. Hervé estava disposto a ajudá-la, mas temeu que fosse uma armadilha.

Disse-lhe: ‘Olha tu estás a dizer-me que és filha do governador do Dubai, isto pode ser uma armadilha e por isso eu preciso de me certificar se essa informação é verdadeira”, revela no vídeo.

O ex-oficial da Marinha contou à BBC que, durante o período em que foi trocando mensagens com Sheikha, muitas delas eram meras questões logísticas, mas muitas outras eram desabafos sobre a vida de princesa presa no castelo. Castelo esse que, de encantado, tinha muito pouco.  

Fui maltratada e oprimida toda a minha vida (…) as mulheres são tratadas de forma desumana. O meu pai não pode continuar a fazer aquilo que faz connosco”, lamenta a princesa, que chegou mesmo a dizer que “preferia ser morta no barco do que regressar ao Dubai”.

Sheikha tentou entrar em contacto com vários jornalistas para conseguir o apoio da comunicação social, mas a história era tão inimaginável que os jornalistas recearam que fosse uma farsa. Desde a sua captura, no início do mês de março, que nunca mais foi vista em público, os amigos nunca mais tiveram novidades dela, e a sua conta de Instagram foi encerrada.