O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou hoje para o risco de exposição dos migrantes ao SARS-CoV-2, devido aos “trabalhos precários” e ao “alojamento superlotado”, recomendando acesso equitativo à vacinação, nomeadamente dos ilegais.

Embora as populações migrantes em toda a UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] sejam extremamente heterogéneas, há provas de que algumas comunidades migrantes podem estar em alto risco de exposição e infeção pela SARS-CoV-2 e estão desproporcionadamente representadas em casos, hospitalizações e mortes”, assinala o ECDC num relatório hoje divulgado.

No documento sobre o impacto covid-19 nas populações migrantes nos países da UE/EEE, incluindo Portugal, esta agência europeia indica que algumas destas pessoas “foram desproporcionadamente afetados pela pandemia”, ao sofrerem “uma série de impactos sanitários e sociais”.

Em concreto, o ECDC destaca que “os migrantes em ambientes de trabalho precários podem ter estado em maior risco de perder empregos e fontes de rendimento”.

E, ao mesmo tempo, “alguns grupos de migrantes têm uma série de fatores de risco e vulnerabilidades à covid-19 que os colocam em maior risco de exposição, incluindo risco ocupacional, alojamento superlotado - incluindo residir em campos, instalações de detenção e espaços para sem-abrigo - e/ou níveis mais baixos de acessibilidade aos serviços de saúde pública”, assinala o organismo.

Entre os “impactos diretos e indiretos na saúde e na sociedade” da covid-19 para os migrante na UE e EEE, o ECDC aponta também “uma maior discriminação, confinamentos mais prolongados e severas restrições à circulação e restrições de viagem”.

Além disso, certos grupos de migrantes têm […] fatores de risco para a baixa utilização de vacinas e podem enfrentar barreiras no acesso à saúde e aos sistemas de vacinação”, acrescenta.

No que toca à inoculação, o ECDC indica que “há provas emergentes de baixas taxas de vacinação anticovid-19 em alguns grupos migrantes e minorias étnicas na UE/EEE”.

Por essa razão, a agência europeia aconselha a “assegurar o acesso equitativo dos migrantes à vacina anticovid-19”, particularmente os excluídos dos sistemas de saúde como os ilegais, o que implica derrubar “barreiras individuais como estruturais à vacinação”.

Isso deve então passar por “construir confiança com as comunidades migrantes em torno da vacina, combatendo a desinformação”, transmitir “informação e mensagens traduzidas para as principais línguas migrantes e eficazmente divulgadas” e por “identificar pontos de acesso inovadores para a vacina para migrantes não registados nos sistemas de saúde convencionais”, recomenda.

A UE/EEE tem uma população de 453 milhões de habitantes e, para este relatório, o ECDC teve em conta que 12% desse total diz respeito a migrantes.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, mais de três milhões de refugiados e requerentes de asilo foram registados nos países da UE/EEE e do Reino Unido em 2018, mas além destes estima-se que cerca de quatro milhões de migrantes indocumentados (ilegais) vivam na Europa.

Na quarta-feira à noite, o coordenador da ‘task force’ da vacinação contra a covid-19 anunciou que está a ser estudada a forma de vacinar os imigrantes não legalizados em Portugal.

Neste momento está a ser estudado qual o processo para trazer, não os legalizados, porque estes estão perfeitamente identificados, mas os não legalizados ao processo de vacinação”, disse o vice-almirante Gouveia e Melo em entrevista à RTP.

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