A Air France-KLM foi responsável por conduzir um voo com um Airbus A350 movido a biocombustível de Paris a Montreal, Canadá, na terça-feira, num momento em que existem profundas divisões na indústria sobre o ritmo de adoção de tecnologias mais sustentáveis. 

O voo descolou do Aeroporto Charles de Gaulle com uma mistura de 16% de combustível de aviação sustentável (SAF) nos seus tanques, produzida a partir de óleo de cozinha usado.

De acordo com a companhia, o voo sinaliza uma "ambição compartilhada de descarbonizar o transporte aéreo e desenvolver uma cadeia de abastecimento SAF na França".

O combustível de aviação, produzido a partir de biomassa ou sintéticamente, de energia renovável tem o potencial de reduzir as emissões de carbono, embora a um custo elevado em comparação com o preço do querosene.
 

A partir do próximo ano, os voos que partem da França serão obrigados a usar 1% de SAF, à frente das metas da União Europeia de chegar a 2% até 2025 e 5% até 2030 de acordo com a Green Deal do bloco.

Mas as companhias aéreas tradicionais têm procurado afastar a medida dos voos de longo curso, argumentando que a exigência poderia expô-los à concorrência desleal vinda do estrangeiro.

A possibilidade de prejuízo comercial levou mesmo várias companhias aéreas de baixo custo, incluindo a Ryanair, a Wizz Air e a easyJet, a exigir à UE que as regras se aplicassem a todos os voos com origem na Europa.

Sobre as quotas europeias de SAF para voos de longa distância, o presidente-executivo da Air France-KLM reitera “uma grande responsabilidade”, mas sublinha dúvidas: "Precisamos de estar em igualdade de condições. Não podemos ter uma situação em que companhias aéreas com base fora da Europa possam prejudicar-nos", disse Ben Smith à Reuters.

Redação / HCL