Edward Snowden vai poder permanecer em território russo até 2020. A infromação foi avançada informalmente por uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e entretanto confirmada pelo advogado do antigo espião à agência de notícias RIA Novosti.

O advogado de Snowden, Anatoly Kucherena, confirmou à agência russa RIA que o visto de residência do norte-americano foi prolongado por mais três anos.

Assim, em 2020 Snowden será residente no país há cinco anos, pelo que, de acordo com a legislação de Moscovo, poderá tentar obter a nacionalidade russa.

A notícia tinha sido avançada de forma informal por uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, no Facebook.

A publicação de Zakharvova surgiu depois de Michael Morell, analista e antigo diretor da CIA, ter sugerido que Putin poderia entregar Snowden aos Estados Unidos, apesar de não haver nenhum acordo de extradição entre os dois países.

Morell escreveu um artigo de opinião no site The Cipher Brief em que disse que Snowden poderia ser o “presente de inauguração perfeito” do presidente russo para Donald Trump.

Recorde-se que o antigo analista da NSA está na Rússia desde 2013, depois de ter exposto os programas de espionagem dos Estados Unidos.

Esta decisão surge horas depois de o ainda presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter perdoado a pena de Chelsea Manning. A antiga militar, que divulgou milhares de documentos confidenciais ao Wikileaks naquela que foi a maior fuga de informação da história dos Estados Unidos, tinha sido condenada em 2013 a 35 anos de prisão.

Os apelos para que Snowden também seja perdoado multiplicam-se, mas Washington considera que os dois casos são muito diferentes.

Numa conferência de imprensa na sexta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, sublinhou que, enquanto Manning foi condenada reconhecendo a gravidade das suas ações, Snowden fugiu.

“Chelsea Manning é alguém que passou pelo processo de justiça militar criminal, foi considerada culpada, foi sentenciada pelos seus crimes e reconheceu as suas infrações. Pelo contrário, Snowden fugiu e refugiou-se num país que recentemente tentou minar a confiança na nossa democracia.”

Sofia Santana