Um tribunal egípcio ordenou hoje a libertação de 416 pessoas detidas no final de setembro por terem participado em raras manifestações contra o regime do presidente Abdel Fattah el-Sisi, indicou fonte judicial.

“O tribunal de Giza ordenou a libertação de 416 suspeitos acusados de terem participado nas manifestações de 20 de setembro, mas a sua libertação permanece dependente de medidas condicionais”, segundo a mesma fonte, citada pela agência noticiosa AFP.

Estas medidas oscilam, com frequência, entre a obrigação de se apresentarem na esquadra de polícia mais próxima para um controlo diário e a obrigação de aí permanecer metade do dia.

De acordo com advogados dos direitos humanos, cerca de 2.000 pessoas foram detidas, no final de setembro, após as limitadas concentrações que apelaram ao derrube do regime em diversas localidades e bairros pobres, incluindo no Cairo.

Duas pessoas foram detidas à margem das manifestações, indicou a Amnistia Internacional num comunicado divulgado em outubro.

Em 27 de setembro, o procurador geral egípcio tinha anunciado a libertação de 68 menores detidos na mesma ocasião.

Estas concentrações surgiram num contexto de forte descontentamento, face às dificuldades económicas acumuladas desde a implementação em 2016, pelas autoridades, de uma estrita política de austeridade e uma recente campanha destinada a interromper as construções ilegais, e com a aplicação de pesadas multas.

Diversos vídeos com pequenas multidões reunidas de forma espontânea foram divulgados nas redes sociais, em particular pelos simpatizantes da Irmandade Muçulmana, uma formação proibida no Egito.

O empresário egípcio exilado em Espanha Mohamed Aly, um opositor do marechal-Presidente Sisi desde 2019 e crítico das Forças Armadas, apelou a manifestações de rua em protesto contra o poder em funções na sequência do golpe militar de julho de 2013. Estes apelos foram difundidos por media próximos da confraria islamita, sediados na Turquia e Qatar.

Nas suas intervenções públicas, o Presidente Sisi tem advertido os egípcios contra as tentativas de desestabilização do poder provenientes do “estrangeiro”.

Desde 2013 que as manifestações estão proibidas no Egito, e a repressão também atingiu de forma implacável os militantes laicos e de esquerda.

Esta semana, o estado de emergência, em vigor desde 2017 no país, foi uma vez mais renovado por mais três meses.

/ AM