O Ministério Público italiano acusou quatro elementos da agência de segurança nacional do Egipto pela morte de um aluno de doutoramento de 28 anos.

O caso remonta ao início de 2016. Giulio Regeni, estudante italiano, foi encontrado sem vida e com sinais de tortura, junto a uma autoestrada nos arredores do Cairo, e a polícia egípcia tornou-se de imediato a principal suspeita do crime.

O jovem estava a escrever uma tese de doutoramento sobre os sindicatos do país e no dia em que desapareceu tiveram lugar na capital do Egipto manifestações contra o regime, que tinham sido proibidas pelo governo. As autoridades locais são regularmente acusadas de repressão violenta dos movimentos de oposição.

A autópsia ao corpo do rapaz, que esteve desaparecido durante 10 dias, revelou que o jovem sofreu choques elétricos no pénis, uma hemorragia cerebral e tinha sete costelas partidas. O relatório do ministério público referia também "queimaduras de cigarros à volta dos olhos e na planta dos pés".

O governo italiano exigiu saber a verdade e o caso afetou as relações entre os dois países, apesar de o Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio ter sempre negado qualquer ligação aos factos. A intenção de levar a julgamento estes elementos da agência de segurança nacional está a ser encarada como um momento importante na responsabilização do Egito pela violação de direitos humanos.

Ao longo dos últimos anos, as autoridades daquele país do Norte de África dificultaram a investigação e defenderam sempre a ideia de que o homicídio teria sido cometido por gangues e grupos políticos rivais. No mês passado, viriam a dar a sua própria investigação como concluída.

O Ministério Público italiano concluiu depois que a vítima foi vigiada no período anterior ao rapto e que as forças de segurança egípcias reuniram informações sobre o jovem e os estudos que este estava a desenvolver sobre os movimentos sindicais.

O julgamento deverá ser realizado sem a presença dos acusados, já que o Egito concede habitualmente imunidade aos polícias acusados de crimes cometidos contra civis e não deverá aceitar a extradição dos quatro oficiais para Itália.

João Faria