Uma mulher de El Salvador acusada de homicídio agravado porque o seu bebé morreu depois de ter dado à luz numa casa de banho voltou a declarar-se inocente em tribunal.

Evelyn Hernández, de 21 anos, garante que foi violada várias vezes, que não sabia que estava grávida e que o bebé nasceu morto. Mas os procuradores de El Salvador acusam-na de aborto.

A mulher, que foi condenada num primeiro julgamento a uma pena de prisão de 30 anos, cumpriu três anos na cadeia, tendo sido libertada em fevereiro.

O caso volta agora aos tribunais depois de a justiça de El Salvador ter aceitado um requerimento para um novo julgamento.

Trata-se do primeiro caso de aborto a voltar a julgamento num país que tem das leis mais restritivas e punitivas para esta prática. Dezenas de mulheres já foram presas por terem sofrido abortos espontâneos ou porque os seus bebés nasceram mortos.

Dezenas de apoiantes organizaram um protesto junto ao tribunal da capital, São Salvador, pedindo mudanças na legislação do país.

O que a Evelyn está a viver é um pesadelo para muitas mulheres em El Salvador”, disse a sua advogada Elizabeth Deras à Associated Press

Os procuradores consideram que Hernández é culpada porque não procurou assistência médica, mas a mulher mantém a versão de que não sabia que estava grávida.

O caso remonta a 2016. Hernández deu à luz numa casa de banho, numa área rural de El Salvador. Perdeu a consciência e muito sangue durante o parto.

A mãe contou à BBC que a polícia chegou ao hospital quando a filha estava a receber tratamento.

Hernández disse durante o primeiro julgamento que foi violada várias vezes. Os advogados explicaram que a jovem não denunciou as violações porque tinha medo - o violador era membro de um grupo criminoso.

A jovem disse que confundiu os sintomas da gravidez com os de dores de estômago e insistiu que teria procurado assistência médica se soubesse que estava grávida.