Não é certo, mas é muito provável: Hillary Rodham Clinton deve ser a próxima Presidente dos Estados Unidos da América. 

As principais previsões e sistemas de probabilidades dão a vitória à democrata no Colégio Eleitoral, sendo que na maior parte das simulações, Clinton surge com bem mais de 300 Grandes Eleitores, sendo que bastam 270 para ganhar. 

Está fechado? Não totalmente, porque quase toda a gente fala num “fator X” que possa alterar, na contagem, a tendência possa ser diferente da que existe nas últimas sondagens.

Os últimos dois dias desta longuíssima campanha correram bem a Hillary Clinton. Não só segurou a vantagem como a aumentou um pouco.

Viu Barack Obama dar-lhe uma preciosa ajuda na mobilização, sobretudo dos negros em estados como a Carolina do Norte, e viu também os dados do “early vote” serem-lhe cada vez mas favoráveis em estados como a Florida e o Nevada. 

A confirmação, feita no domingo, de que o FBI não vai mesmo avançar com uma acusação contra Hillary Clinton terá também ajudado a estancar a rota de perda que a democrata vinha a sofrer.

No “sprint” final, Hillary parecia já falar como vencedora, Trump como um futuro perdedor à procura de justificações.

Na campanha mais feia e negativa das últimas décadas (os  assuntos só foram dominantes nos debates e foram esses os momentos em que Clinton se destacou mais), Hillary quis terminar enviando mensagens positivas, de união, “amor e bondade”, olhando já para o “dia seguinte”, numa tentativa de “sarar as feridas”.

No plano oposto, Trump reforçou o cariz negativo da sua mensagem nos últimos dias, voltando à narrativa do “sistema roubado”, depois do anúncio do FBI de ilibar Hillary.

Tudo isto, nas contas para a vitória, parece ter resultado, no último dia, numa melhoria das posições de Hillary, tanto no voto popular como no Colégio Eleitoral. 

Mas na América nunca se sabe. 

Só depois de contados os votos se poderá confirmar que Hillary Clinton será mesmo a sucessora de Barack Obama.

É o mais provável, mas falta saber com que diferença (muita ou pequena), sendo que isso, no ambiente político de raiva e ressentimento que se vive nos EUA, é relevante para avaliar as reais condições da provável futura presidente vir a exercer o seu mandato até janeiro de 2021.