Foi festejar onde tudo começou: nas redes sociais. Jair Bolsonaro escolheu o Facebook para reagir à sua eleição como presidente do Brasil - venceu com 55,14% dos votos contra 44,86% de Fernando Haddad. Depois de 13 anos de PT e à esquerda, o maior país da América do Sul virou. Virou para a extrema-direita. Jair Messias Bolsonaro entregou para Deus, que citou uma série de vezes, a vitória e o futuro do país.

Foi buscar "ao que chamam de caixa de ferramenta para consertar o homem e a mulher: a Bíblia Sagrada", o seu propósito como presidente. "O que mais quero é seguir ensinamentos de Deus (...) Essa é uma missão de Deus. Estaremos prontos para cumpri-la".

Oração primeiro, discurso aos jornalistas depois: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Nunca estive sozinho. Sempre senti a presença de Deus e do povo brasileiro. Orações de homens, mulheres, crianças, famílias intieiras que diante da ameaça de serguirmos por um caminho que os brasileiros merecem, colocaram o Brasil acima de tudo".

Discurso mais moderado

Chamou o povo de "querido", garante ter os jovens "no coração". Moderou um pouco o discurso misógino e homofóbico que o caracteriza, já fala em "liberdade" a vários níveis, até nas escolhas, até nas "orientações".

Faço de vocês minhas testemunhas de que esse Governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa, não de um partido, não é a palavra vã de um homem é um juramento a Deus. A verdade vai libertar esse país e a liberdade vai transformar-nos numa grande nação"

 

Podem ter certeza: trabalharemos dia e noite para isso. Liberdade é um princípio fundamental, de andar nas ruas, de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de informar e ter opinião, liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas. Este é um país de todos nós, brasileiros natos ou de coração, Brasil de diversas opiniões, cores e orientações"

Insistiu: "Assim será o nosso Governo: constitucional e democrático", "decente", "exclusivamente comprometido com o país e com o povo". Por agora, tem três ministros "acertados" e vai anunciar a restante equipa "com cautela".

Veja também:

Medidas concretas? O governo federal vai dar um "passo atrás", "cortando estrutura", para que as pessoas possam "dar um passo em frente". Promete desburocratizar, "desamarrar" o Brasil, descentralizar ("mais Brasil, menos Brasília"). 

Tanto no direto do Facebook como no discurso lido teve uma palavra para a população da Amazónia. 

Falo com uma mão voltada para o seringueiro no coração da selva amazónica e a outra para o empreendedor suando para criar e desenvolver a sua empresa. Não existem brasileiros do sul ou do norte. Somos todos um só país. Uma só nação. Uma nação democrática". 

Prometeu reduzir o défice e a dívida, estimular os investimento, o crescimento e a consequente criação de empregos. O tema das armas - grande bandeira de campanha - não entrou no discurso.

"Media colocou-me numa situação próxima do vexatória"

As críticas aos órgãos de comunicação social foram disparadas assim que começou a falar: "A media colocou-me numa situação próxima do vexatória".

No direto para o Facebook, ao lado da mulher, Michelle de Paula, e de uma intérprete de língua gestual, disse que "mais do que esperança, a certeza de mudar o destino do Brasil". O "grande exército" sabia para onde o país estava a direcionar-se  "clamava por mudanças" contra "o sociailsmo, populismo e extremismo da esquerda". 

O Brasil que quer construir vai inspirar-se  "em grandes líderes mundiais", "isenta de indicações políticas de praxe".

"A verdade tem de começar a valer dentro dos lares". Bolsonaro diz que o povo tem o direito de saber o que se passa no país. "Graças a Deus, o povo percebeu". Deus, mais uma vez, entre outras. Deus também a terminar o discurso:

Somos um grande país e agora vamos juntos transformar esse país em uma grande nação, livre, democrática e próspera. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.".

Veja também: