A segunda volta das duas corridas para senadores na Geórgia, que não ficaram resolvidas a 3 de novembro, irá decidir o controlo do Senado nos próximos anos e definir a capacidade legislativa do presidente eleito Joe Biden.

Os democratas têm neste momento 48 senadores e os republicanos deverão ficar com 50 quando os resultados forem finalizados e certificados na Carolina do Norte e no Alasca.

As duas corridas ao Senado pela Geórgia não determinaram vencedores a 3 de novembro porque nenhum dos candidatos atingiu os 50% de voto que é preciso obter para vencer.

Em 5 de janeiro, haverá uma segunda volta para decidir os dois lugares no Senado respeitantes à Geórgia.

Se os democratas conseguirem vencer as duas corridas, irão igualar o número de senadores e efetivamente passar a controlar o Senado, já que a vice-presidente eleita, Kamala Harris, terá o poder de desempate.

Uma das corridas na Geórgia é entre o republicano incumbente David Perdue e o democrata Jon Ossoff, depois de Perdue não ter conseguido atingir a fasquia dos 50% necessária para vencer a corrida.

Com praticamente todos os votos contabilizados, Perdue ficou com 49,7% e Ossoff 48%.

A outra corrida opõe a incumbente republicana Kelly Loeffler e o democrata Raphael Warnock, depois de uma dispersão de votos que não resultou num vencedor claro. Loeffler obteve 25,9% dos votos e Warnock conseguiu 32,9%, sendo que outros candidatos levaram o resto.

A última vez que a Geórgia foi atribuída a um democrata nas presidenciais foi em 1992, com Bill Clinton. O último senador democrata pela Geórgia foi Max Cleland, eleito em 1996.

O estado é considerado um bastião republicano, o que torna pouco provável que as duas corridas sejam ganhas pelos democratas.

Se isso acontecesse, o controlo do Senado alargaria de forma dramática a capacidade legislativa do presidente eleito, Joe Biden, visto que o partido já controla também a Câmara dos Representantes.

O Senado tem o poder de bloquear ou fazer passar legislação importante e de confirmar ou impedir nomeações do presidente para os mais variados cargos, incluindo membros do governo.

Ao contrário da Câmara dos Representantes, em que os mandatos são de dois anos, os senadores são eleitos para mandatos de seis anos.

Os republicanos controlam o Senado desde 2014.

Recontagem de votos pode demorar até ao final de novembro

A recontagem de votos na Geórgia pode demorar até ao final de novembro.

Com praticamente todos os boletins contabilizados, Biden vai à frente por 12.651 votos, tendo obtido 49,50% da preferência do eleitorado, contra 49,25% de Trump.

A diferença é inferior a 0,5%, o que permite o pedido de recontagem, de acordo com a legislação eleitoral do estado.

A campanha de Donald Trump pediu que os quase cinco milhões de boletins de voto sejam todos recontados à mão, algo que não está posto de parte - apesar de as declarações iniciais dos responsáveis terem apontado para uma recontagem feita através de ‘scanners’ de alta velocidade.

O secretário de Estado da Geórgia, o republicano Brad Raffensperger, anunciou que iria ser feita uma recontagem antes mesmo de Joe Biden ter sido dado como vencedor das eleições presidenciais.

A vitória de Biden não dependeu da Geórgia, tendo sido alcançada quando lhe foi atribuída a conquista da Pensilvânia.

No entanto, a campanha do presidente Donald Trump contesta o resultado em várias frentes, alegando fraudes nestes dois estados, que conquistara há quatro anos.

Segundo as leis eleitorais do estado, os condados têm de apurar e certificar os seus resultados até esta sexta-feira, 13 de novembro.

De seguida, o secretário de Estado tem até 20 de novembro para certificar o total apurado.

A recontagem pode então ser pedida, por escrito, até dois dias depois da certificação inicial.

Segundo o USA Today, o diretor de implementação do sistema de voto na Geórgia, Gabriel Sterling, explicou que a recontagem poderá só estar terminada no final de novembro.

A campanha de Donald Trump pediu, entretanto, a um tribunal na Geórgia para invalidar votos por correspondência que alegou terem chegado depois do prazo, 19:00 de 3 de novembro.

O tribunal negou o pedido, citando falta de provas de que alguma ilegalidade tenha ocorrido.

De acordo com os dados da Associated Press, de 31 recontagens estaduais que aconteceram nos Estados Unidos desde 2000, apenas três resultados foram alterados em virtude da recontagem de votos. Em todas essas corridas, a diferença entre candidatos era inferior a 300 votos.

/ CM