As eleições europeias tiveram consequências na Grécia: o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou na noite de domingo a antecipação das eleições legislativas, que se deveriam realizar em outubro deste ano, devido à derrota do seu partido, o Syriza, nas urnas.

Os resultados não foram os que esperávamos”, disse Tsipras. 

O Syriza, partido de Tsipras, não foi além dos 24%, tendo ficado atrás do Nova Democracia, formação de centro-direita liderada por Kyriakos Mitsotakis, que venceu com 33% dos votos.

A marcação da data das eleições legislativas será discutida com o presidente Prokopis Pavlopoulos depois da segunda volta das eleições autárquicas da Grécia, que se realiza na próxima semana. O novo ato eleitoral deverá realizar.se nos meses de junho ou julho.

Alexis Tsipras está no governo desde 2015, quando a 25 de janeiro desse ano conseguiu levar, pela primeira vez, um partido de esquerda radical a formar governo na Grécia. A vitória baseou-se numa política antiausteridade, que acabou por ser revertida ao longo do mandato. No verão de 2015, Tsipras viria a aceitar o terceiro resgate financeiro da Grécia, algo a que se tinha oposto quando foi eleito.
 

Juros da Grécia caem para mínimos com vitória de conservadores

Os juros da dívida grega a cinco e 10 anos desceram esta segunda-feira para mínimos histórico, depois da vitória dos conservadores nas eleições europeias na Grécia.

Os juros da dívida grega a cinco e 10 anos desceram hoje de manhã para mínimos históricos de 1,90% e de 3,15%, respetivamente.

Entretanto, a bolsa de Atenas abriu em forte alta, a subir 4,98% sustentada pela valorização dos títulos da banca, cujo índice avançou 9,86%.

Segundo analistas citados pela Agência Efe, estes movimentos foram sustentados pela clara vitória da oposição conservadora nas eleições europeias, com 9,5 pontos percentuais de vantagem sobre o partido no Governo Syriza, e a decisão do primeiro-ministro, Alexis Tsipras, de convocar eleições antecipadas.

As eleições gerais na Grécia estavam previstas para outubro e a decisão de Tsipras de as antecipar apazigua as preocupações dos investidores de que um Governo debilitado poderia levar a um período de instabilidade política.

Desde o início do ano os juros da dívida grega têm caído significativamente, movimento apoiado por duas emissões de títulos colocadas com êxito, uma a cinco anos em 29 de janeiro e outra a dez anos em 05 de março.

A procura de dívida grega continua a ser muito alta pela dupla vantagem de apresentar um baixo risco e juros muito superiores aos da zona euro.

Os juros da dívida a dez anos de Portugal estavam hoje de manhã em 0,96%, de Itália em 2,58% e de Espanha em 0,81%.