O caos, a confusão e os insultos marcam os títulos das primeiras notícias das edições eletrónicas dos jornais sobre o debate televisivo das presidenciais norte-americanas realizado em Cleveland, Ohio. 

A edição digital do New York Times, que publicou esta semana a notícia sobre as irregularidades fiscais do presidente dos Estados Unidos, escreve que o Presidente e candidato republicano à reeleição, Donald Trump, foi incorreto, com um comportamento "vulcânico", cheio de "inverdades" e com táticas de "bulldozer" 

O New York Times destaca que os dois participantes no debate protagonizaram ataques pessoais e um comentário do jornal diz que "estes debates vão ser sempre sobre Donald Trump", referindo-se ao comportamento do candidato republicano. 

O jornal Washington Post, na edição eletrónica, escreve que Trump mergulhou o debate numa "disputa".

"Biden diz que o presidente dividiu ainda mais os Estados Unidos enquanto Trump interrompia e insultava", titula o Washington Post. 

Além da fronteira sul dos EUA, o jornal mexicano La Reforma publica na edição digital que o candidato democrata "Biden e Trump mantiveram um debate caótico" e o El Universal escreve que foi "uma noite de insultos e que o candidato do Partido Democrático caiu na "armadilha" de Trump respondendo e tendo sido constantemente interrompido.

"Foi uma noite ríspida em que o Presidente até discutiu com o moderador do debate", escreve o jornal da Cidade do México. 

No vizinho do norte, o jornal canadiano The Star nota que se tratou de um momento "caótico" e que os canadianos que sintonizaram o debate presidencial norte-americano viram "caos" do "outro lado da fronteira", sublinhando que a economia do Canadá depende "muito" do país vizinho.

"O que os canadianos viram foi o 'caos'", escreve o jornalista do The Star, em inglês.

O mesmo jornal destaca que Joe Biden chamou "mentiroso" a Trump tendo sido constantemente interrompido pelo Presidente dos Estados Unidos.

O Journal de Québec, em francês, considera que o primeiro debate presidencial norte-americano, realizado em Cleveland, Ohio, foi "risível" e marcado pela "cacofonia".

Um articulista do mesmo jornal canadiano escreve que "os americanos não merecem" episódios marcados por ataques pessoais referindo que Biden está a ser criticado por ter mandado calar um chefe de Estado.

"Vais-te calar, homem?" é uma das frases mais destacadas pela imprensa canadiana, referindo-se ao momento em que Joe Biden mandou calar Donald Trump. 

A edição digital do britânico The Guardian nota que Trump se recusou a condenar os supremacistas brancos quando foi questionado pelo moderador da Fox News sobre a presença nas ruas de milícias de extrema-direita, tendo criticado os ativistas de esquerda.

O Guardian considera que se tratou de um debate "caótico" citando o próprio moderador Chris Wallace que afirmou no final que "foi uma grande confusão". 

Uma análise publicada no Independent de Londres diz que este primeiro debate foi um "confronto" e que mais do que mostrar ideias "mostrou lixo" aos eleitores norte-americanos.   

A edição eletrónica do jornal francês Le Monde - que não destaca em manchete o primeiro debate televisivo das presidenciais dos Estados Unidos - escreve que Biden apelou à "solidez democrática".

"Se nós (Partido Democrático) conseguirmos os votos, será o fim e ele (Donald Trump) vai ter de ir embora. Não vai ficar no poder", foi a posição demonstrada por Joe Biden destacada pela notícia da edição digital do Le Monde.

O espanhol El País escreve que Biden conseguiu enfrentar os ataques do chefe de Estado que se socorreu das "mesmas técnicas" que usou nas eleições de 2016. 

"Caos, interrupções, ataques pessoais e insultos" refere Hu Xijin, editor do Global Times, jornal da República Popular da China.

O editor, no blogue do jornal comunista chinês, acrescenta que o debate demonstrou "divisão, ansiedade e erosão do sistema" político norte-americano.

"Eu costumava apreciar este tipo de debates televisivos dos Estados Unidos, mas agora tenho um sentimento confuso" diz ainda o editor do jornal Global Times, da República Popular da China.

O editor do The Australian, Paul Kelly, descreve o debate como "caótico, abusivo, e descontrolado".

"O rancor que há na América atingiu o primeiro debate Trump-Biden", escreve o editor do jornal australiano que frisou os ataques do presidente contra Pequim por causa da pandemia de covid-19.

No Médio Oriente, o debate na imprensa está centrado no momento em que Biden afirma "Inshallah" ("Deus Queira", em árabe) quando Trump promete divulgar as declarações de impostos. 

Abdulkhaleq Abdulla, um comentador político dos Emirados Árabes Unidos escreve que se tratou de uma "batalha verbal".

"Como é que a América chegou a tal decadência?", questiona o comentador.

/ LF