As autoridades bielorrussas anunciaram hoje a abertura de um processo-crime ao conselho de coordenação da oposição por “minar a segurança social” ao promover novas eleições presidenciais, depois dos protestos contra os resultados da votação de 09 de agosto.

“A criação e as atividades do conselho coordenador visam tomar o poder do Estado e prejudicar a segurança nacional da Bielorrússia. Com base nisso, foi aberto um processo-crime”, informou o procurador-geral da República, Alexandr Koniuk, citado pela agência russa de notícias Sputnik.

A pena máxima prevista no processo aberto contra os membros do conselho, que teve a sua primeira reunião na quarta-feira, é de cinco anos de prisão.

Na sua primeira reunião, que aconteceu logo após a União Europeia ter declarado não reconhecer os resultados das eleições de 09 de agosto, a oposição exigiu que o Presidente, Alexander Lukashenko, “inicie imediatamente” negociações.

Entre as exigências do recém-criado conselho de coordenação conta-se o reconhecimento das eleições presidenciais como inválidas e a convocação de novas eleições “que respondam aos padrões internacionais”.

Além disso, o conselho exige “o fim da violência e da perseguição política por parte das autoridades e a abertura de uma investigação nos termos da lei”, além da libertação dos presos políticos e do pagamento de indemnizações a todos os afetados.

O órgão representante da oposição ao Presidente afirma que o seu objetivo é “superar a crise política e procurar a harmonia social com base na Constituição”, rejeitando ter pretensões de mudar o regime constitucional ou a política externa do país.

Lukashenko, que acusou o conselho de tentar tomar o poder e de ser uma espécie de governo “paralelo” ou “alternativo”, ameaçou dissolver o órgão.

A criação do conselho de coordenação, no qual participam personalidades conhecidas da sociedade bielorrussa, como a Prémio Nobel de Literatura Svetlana Alexievich, foi anunciada pela líder da oposição bielorrussa no exílio, Svetlana Tikhanovskaia.

Além da Prémio Nobel, fazem parte do conselho coordenador representantes da campanha de Tikhanovskaia, jornalistas, juristas, médicos, personalidades da cultura e membros de sindicatos do país.

A Bielorrússia tem sido palco de uma onda de protestos contra a reeleição do Presidente, Alexander Lukashenko, que muitos, incluindo a UE, consideram fraudulenta.

No poder há 26 anos, Alexander Lukashenko obteve, segundo a Comissão Eleitoral Central do país, mais de 80% dos votos no dia 09 de agosto, conquistando o seu sexto mandato.

Desde então, mais de 6.700 pessoas foram presas durante ações de protesto e centenas dos já libertados relataram cenas de tortura sofridas na prisão.

No domingo, realizou-se um dos maiores protestos da oposição na história da Bielorrússia, com várias dezenas de milhares de pessoas em Minsk para exigir a saída do chefe de Estado, mas o Presidente já rejeitou a possibilidade de realizar novas eleições presidenciais.

A candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaya, que está refugiada na Lituânia, disse na segunda-feira que estava pronta para liderar o país, referindo que não “queria ser política”, mas que “o destino decretou que estaria na linha da frente diante da arbitrariedade e da injustiça”.

Svetlana Tikhanovskaya referiu-se à votação como uma fraude, depois de a Comissão Eleitoral lhe ter atribuído 10% dos votos.

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