As últimas sondagens diziam que tinha ultrapassado Le Pen. As primeiras projeções, de meios belgas, davam-no como o vencedor da primeira volta da eleições presidenciais em França e não se enganaram. 

O centrista Emmanuel Macron lidera a primeira volta das presidenciais francesas com quase mais 2,5 pontos percentuais do que a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, quando estavam apurados 97% dos sufrágios.De acordo com os dados do Ministério do Interior, quando falta apurar apenas 3% dos votos, Macron obteve 23,86% dos votos, enquanto Le Pen conquistou 21,43%.

No discurso da vitória, Macron apelou à união dos "patriotas contra a ameaça dos nacionalistas" na segunda volta das eleições, às quais prometeu levar "otimismo e esperança"  à França e à Europa.

Macron, que disputará o Eliseu com a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, prometeu que irá trabalhar, até à segunda volta, para reunir "o mais possível" os franceses em torno da sua campanha.

Para a segunda volta “o desafio não é votar contra quem quer que seja mas romper com um sistema que ao longo dos últimos 30 anos não conseguiu resolver os problemas do país”, acrescentou.

Na sede de campanha em Paris, onde esteve a enviada especial da TVI, Judite Sousa, Macron começou por se congratular com a participação eleitoral e saudou os candidatos, um por um, (menos Le Pen), agradecendo o apoio, entretanto, expresso pelo conservador Fillon e pelo socialista Hamon para a segunda volta. Agradeceu também à família, em particular à sua mulher Brigitte.

Aqui vamos nós. O nosso país está em tempos sem precedentes. A resposta foi brilhante de um voto massivo. O povo levou-me à segunda volta", disse Macron. "Estou honrado, quer tirar vantagem desta oportunidade para apresentar o meu cumprimento a todos os candidatos".

 

Percebo que os que apoiaram estão desapontados. Alguns disseram já que irão votar em mim na segunda volta. Em um ano, mudámos toda a situação. O velho sentimento de comprometimento com o país, de não entrar numa divisão. Nunca esquecerei a tremenda energia e determinação que milhares de vocês mostraram", acrescentou.

"Juntem-se a mim na construção de uma maioria parlamentar", pediu Macron. "Nada estava escrito antes. Vocês são a cara de uma nova esperança em França".

O candidato socialista foi o primeiro a aparecer após as primeiras projeções. Benoît Hamon reconheceu a derrota mas disse que "a luta continua" e que continuará "a falar à inteligência do povo francês".

Le Pen chegou gloriosa. Não ganha mas terá uma luta totalmente em aberto na segunda volta. No discurso desta noite, a candidata disse ter alcançado um resultado "histórico"  e considerou que chegou o momento de "libertar o povo" francês.

Menos à esquerda, Jean Luc Mélenchon, reconheceu jque os resultados  não correspondem às suas expectativas e disse que serão os seus apoiantes a decidir agora se apoiam Macron ou Le Pen.

Da direita chegou mais um apoio a Macron. François Fillon afirmou, no discurso da derrota, que a abstenção não faz o seu estilo e, por isso, assegurou que dará o seu voto ao centrista na segunda volta, contra a extrema-direita.

Votação renhida entre Macron e Le Pen

Por volta da 1:00 e já com 91% dos votos apurados os dados do Ministério do Interior revelavam estes resultados

Candidatos Número de votos % votos
M. Emmanuel MACRON 7 937 977 23,51
Mme Marine LE PEN 7 450 011 22,06
M. François FILLON 6 663 959 19,73
M. Jean-Luc MÉLENCHON 6 579 450 19,48
M. Benoît HAMON 2 095 129 6,20

Com base nestes resultados, as reações da imprensa francesa também não se fazem esperar. No editorial do Le Monde pode ler-se, por exemplo que: "O sismo político que representa a qualificação de Emmanuel Macron e Marine Le Pen merecerá um lugar especial na vida política francesa. A espera de julgamento da História, podemos afirmar desde já com certeza que o primeiro lugar arrancado por Macron (23,9%) permanecerá como uma das façanhas eleitorais mais espectaculares da V República. A aceleração do tempo político quase que faz esquecer que o candidato, omnipresente na cena mediática desde há alguns meses, era um desconhecido do grande público há três anos".

Já no Libération, o diretor chefe adjunto, Grégoire Biseau, escreve, numa análise no jornal de esquerda: "O regime francês está em sofrimento: o futuro Presidente partirá com uma base eleitoral muito estreita, os eleitores mostraram o seu desejo de mudança ao votarem nos candidatos de fora do sistema, e o bipartidarismo parace ultrapassado".

/ ALM/ AR - Notícia atualizada às 07:14 de segunda-feira