As urnas encerraram às 17:00 (hora portuguesa) na Alemanha e as primeiras projeções dão um empate técnico entre SPD e CDU/CSU.

Segundo os números citados pela Reuters, tanto o SPD, de Olaf Scholz, como o bloco CDU/CSU, de Armin Laschet, terão cerca de 25% dos votos.

Os Verdes poderão alcançar 15% dos votos.

Já os Liberais poderão ter cerca de 11% dos votos, enquanto a Esquerda se ficará pelos 5%.

Estes primeiros números devem ser encarados, no entanto, com prudência, uma vez que não incluem o voto por correspondência.

Estima-se que, especialmente por causa da pandemia de covid-19, mais de metade dos eleitores alemães tenha optado pelo voto por correio, modalidade que pode registar níveis recorde no atual escrutínio.

Sociais democratas e conservadores disputam a sucessão de Angela Merkel, que deixa o cargo de chanceler após 16 anos de poder. 

A Alemanha tem cerca de 60,4 milhões de eleitores e estima-se que, especialmente por causa da pandemia de covid-19, mais de metade tenha optado pelo voto por correio.

As eleições alemãs funcionam com um sistema distrital misto e cada eleitor dispõe de dois votos. No primeiro, o voto é direto e escolhe-se um candidato do distrito e é escolhido quem conseguir mais votos, sendo que cada partido tem direito a um nome por distrito ou zona eleitoral. No segundo voto, a decisão recai num partido e o eleitor escolhe uma lista com candidatos definida por uma das forças políticas aptas a concorrer no seu estado federal. Este segundo voto determina o tamanho das bancadas no Parlamento alemão.

Isto é, se um partido tiver elegido, no primeiro voto, mais representantes do que teria direito pelo segundo voto, o número total de deputados do parlamento é aumentado até que a proporcionalidade seja alcançada.

O número mínimo de deputados equivale ao dobro do número de distritos, ou seja 598.

O atual parlamento tem 709 deputados. Para que um partido tenha uma bancada, necessita de obter, no mínimo 5% dos votos válidos no segundo voto, ou eleger pelo menos três deputados no primeiro voto, mas nenhum deputado, eleito diretamente, fica de fora, caso o partido não tenha chegado aos 5%.

São sete os partidos com representação no Bundestag: a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU), que partilham a mesma bancada, o Partido Social Democrata alemão (SPD), os Verdes, a Esquerda, o Partido Liberal Democrático (FDP) e a Alternativa para a Alemanha (AfD), pertencendo 10 cadeiras do parlamento a deputados sem partido.

O chanceler é escolhido por votação indireta, isto é, os nomes indicados pelos partidos servem apenas para dizer que, caso vençam, aquele será o escolhido.

Nos principais partidos, Olaf Scholz, atual vice-chanceler e ministro das Finanças, é o candidato pelo SPD. Armin Laschet, ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestefália, é o candidato da CDU. Os Verdes escolheram um nome pela primeira vez, a co-líder Annalena Baerbock.

Entre algumas das formações possíveis estão as coligações “Semáforo” (Ampelkoalition), com o SPD, Verdes e Liberais, “Jamaica”, com a CDU, os Verdes e os Liberais, “Quénia”, com a CDU/CSU, SPD e Verdes, ou uma coligação de esquerda, com o SPD, Verdes e a Esquerda.

As negociações não têm prazo limite para terminar, sendo, até lá, nomeado um governo de gestão.

 

As reações

Um ambiente de silêncio foi notório na sede da CDU quando os primeiros resultados das sondagens revelaram um empate entre a União Católica Democrática e o SPD. 

Depois, algumas pessoas começaram a aplaudir de forma hesitante, mas quando começou a ficar claro de que uma coligação entre Os Verdes, a Esquerda e o SPD não alcançaria uma maioria absoluta, os aplausos foram bastante mais ruidosos.

Momentos depois, o secretário-geral da CDU, Paul Ziemiak comentou o resultado, sublinhando que irá ser “uma noite bastante longa” e uma corrida “renhida”.

"A questão agora será quem irá conseguir formar um governo estável", disse Ziemiak, destacando que há uma chance para uma coligação de futuro entre a CDU, os Verdes e o FDP - a chamada coligação Jamaica.

Mais tarde, foi a vez de Armin Laschet tomar a palavra, com um tom muito mais desapontado: "Os resultados ainda não são finais, vai ser uma noite longa, mas podemos já dizer que não são os resultados que nós queríamos"

As projeções à boca das urnas colocaram a Esquerda com 5% - no limiar do suficiente para entrar no Bundestag. “O facto é que perdemos, perdemos significativamente e temos de discutir isso”, reagiu Jörg Schindler, diretor de campanha do partido.

Hubertus Heil, ministro do Trabalho da Alemanha e vice-líder do SPD, disse ao canal ARD que está "muito orgulhoso" de Olaf Scholz e do resultado do seu partido até agora.

“A noite ainda é jovem, mas está a ficar claro que este é um grande sucesso para o SPD”, disse, acrescentando que o partido não se permitiu ser “empurrado para baixo” por sondagens e “lutou” para recuperar a força. 

Scholz mostrou "que pode ser chanceler", acrescentou Heil, "e acho que isso contribuiu para os resultados eleitorais".

Conquanto, o secretário-geral do SPD, Lars Klingbeil, disse ao canal ZDF que, “muito claramente, o SPD tem mandato para governar. Queremos que Olaf Scholz se torne chanceler ”. 

Embora Klingbeil reconheça que as projeções estão muito próximas, classificou os resultados do SPD como "fantásticos" e disse que a festa está pronta para comemorar a noite.

Catarina Pereira / com Lusa