O primeiro-ministro espanhol em funções, Pedro Sánchez, foi um dos primeiros líderes partidários a votar nas legislativas que este domingo decorrem, as quartas que Espanha promove em quatro anos, aproveitando para lembrar que o exercício do voto reforça a democracia.

As eleições foram convocadas em setembro pelo Rei de Espanha, depois de constatar que o primeiro-ministro socialista em funções, Pedro Sánchez, não conseguiu reunir os apoios parlamentares suficientes para voltar a ser investido no lugar.

Pedro Sánchez votou cerca das 09:30 horas locais (menos uma hora em Lisboa) em Pozuelo de Alarcon, perto de Madrid.

Considero muito importante que reforcemos a nossa democracia com o nosso voto e que encorajemos todos os cidadãos a votar para que amanhã possamos ter estabilidade para formar um Governo e fazer com que Espanha possa avançar”, referiu o líder do PSOE aos jornalistas.

O PSOE, partido liderado por Pedro Sánchez, deverá ser o mais votado nestas eleições, mas as sondagens que foram sendo publicadas nestes últimos dias indicam que terá ainda mais dificuldade em conseguir os apoios necessários para formar um Governo estável.

Casado pede a espanhóis que "votem em massa"

O líder do Partido Popular espanhol, Pablo Casado, apelou aos espanhóis que votem “em massa” e desejou que destas eleições saia “um resultado claro” que permita encontrar uma solução política para ultrapassar o atual impasse.

Acompanhado pela mulher, Pablo Casado exerceu o seu direito de voto cerca de uma hora e meia depois da abertura das urnas no Colégio de Nossa Senhora do Pilar, em Madrid, tendo referido aos jornalistas que o PP fechou a campanha eleitoral “com muito otimismo e com muito boas perspetivas”.

Casado expressou o seu desejo de que destas eleições saia um “resultado claro” que permita a Espanha encontrar a estabilidade de que necessita.

Tivemos quatro eleições gerais em quatro anos, houve três nomeações em apenas oito meses, mas é muito importante que hoje votemos em massa, já que esta é a ferramenta que temos, sobretudo quando muitos interpretam estas eleições como uma segunda volta das de abril”, precisou Pablo Casado.

O líder do PP, que depois de ter votado foi tomar café com o presidente da Comunidade de Madrid, José Luis Martínez-Ameida, e com a presidente da câmara, Isabel Díaz Ayuso, disse aos jornalistas que deveria dirigir-se para a sede do partido cerca das 18:30 horas locais (menos uma hora em Lisboa) para, a partir daí, seguir o encerramento das mesas de voto e a divulgação dos resultados.

Eleitores "fartos" de ir às urnas

Os eleitores espanhóis estão a votar “fartos” por terem de ir às urnas mais uma vez, mas com a esperança de que os partidos políticos chegem finalmente a um acordo que acabe o impasse político.

Estou farto de eleições, mas a democracia é assim mesmo”, disse à Lusa Jua, que tinha acabado de votar numa das urnas instaladas na Escola Primária Manuel Sáinz de Vicuna, no bairro de Moratalaz de Madrid.

Este espanhol de 48 anos espera “que, desta vez, os partidos possam chegar a acordo”, para haver um Governo “estável” que faça “avançar” o país.

Já não acredito em nenhum partido, cada um só pensa em si e não sei se vão desbloquear o atual impasse”, disse, acompanhada pelo marido, Joana, de 65 anos, acrescentando que, apesar de estar "cansada de votar", é preciso cumprir o dever cívico. 

Não quero voltar para votar mais uma vez. Os partidos deviam ser obrigados a chegar a um acordo”, afirmou Maribel, de 55 anos, que deu o exemplo das crianças da escola que “agora” aprendem que na vida “é preciso fazer compromissos” entre pessoas que não pensam da mesma forma.

As urnas abriram em Espanha às 09:00 locais (08:00 em Lisboa) para as eleições legislativas, as quartas em quatro anos, com as sondagens a indicar uma maior fragmentação do voto.

No total foram instaladas quase 60.000 mesas e mais de 210.000 urnas em 50 províncias e nas cidades de Ceuta e Melila, no norte de África.

Uma hora depois de Espanha ter iniciado a votação para as quartas eleições legislativas em quatro anos, estavam em funcionamento 99,67% das assembleias de voto e as autoridades acentuavam a “total normalidade” da constituição e abertura das mesas.

Esta “total normalidade” na abertura das 22.867 assembleias de voto, onde se encontram instaladas as mais de 59.500 mesas de voto, foi sublinhada pela subsecretária de Estado do Interior, Isabel Goicoechea, e pelo secretário de Estado da Comunicação, Miguel Ángel Oliver, num primeiro balanço à imprensa.

Normalidade é também a forma como se iniciou esta jornada eleitoral na Catalunha, com a agência espanhola, EFE, a adiantar que os escassos incidentes registados ficaram resolvidos antes de as mesas de voto abrirem portas.

Praticamente não se registaram incidentes relevantes e [os que ocorreram] foram-se resolvendo antes da abertura das assembleias de voto ou pouco tempo depois”, assinalou em comunicado um departamento governamental, citado pela EFE.

Os cerca de 37 milhões espanhóis podem exercer o seu direito de voto das 09:00 (08:00 em Lisboa) até às 20:00 (19:00) para escolher 350 deputados e 208 senadores das Cortes Gerais.

Destes 37 milhões de eleitores, um total de 226.771 vão exercer o seu direito de voto pela primeira vez numas eleições gerais, uma vez que fizeram 18 anos depois da consulta realizada em abril.

Assim que as urnas encerrarem, as televisões irão revelar sondagens feitas à boca das urnas durante o dia e a partir das 21:00 (20:00) começarão a sair os resultados.

Uma parte importante da atenção mediática vai estar na Catalunha, uma comunidade autónoma com uma forte presença de movimentos independentistas que aumentaram os protestos, por vezes de forma violenta, desde que há quase um mês foi conhecida a sentença de uma série de líderes envolvidos na tentativa de independência de 2017.

Nas últimas eleições, em 28 de abril último, o PSOE teve 28,7% dos votos, seguido pelo PP 16,7%, o Cidadãos 15,9%, o Unidas Podemos 14,3% e o Vox 10,3%.

Segundo várias sondagens publicadas, o PSOE voltará a ganhar as eleições, mas com uma queda ligeira (para cerca de 27%), seguido pelo PP (direita) que sobe para cerca de 20% e o Vox, também a crescer, para cerca de 15%.

A forte subida dos dois partidos de direita é feita à custa do Cidadãos (direita liberal), que baixaria para 8-9%, enquanto à esquerda o Unidas Podemos (extrema-esquerda) deve descer ligeiramente.

A todos estes partidos junta-se agora o Mais País, uma formação criada por um ex-fundador do Podemos, que apesar das sondagens indicarem uma votação reduzida, 2-3%, irá roubar alguns votos aos restantes dois principais partidos da esquerda.

As eleições foram convocadas em setembro pelo Rei de Espanha, depois de constatar que o primeiro-ministro socialista em funções, Pedro Sánchez, não conseguiu reunir os apoios suficientes para voltar a ser investido no lugar.

Os socialistas do PSOE deverão ser os mais votados nas eleições legislativas que se realizam hoje em Espanha, mas irão ter ainda mais dificuldade para conseguir os apoios necessários para formar um Governo estável.