A divisão no Partido Democrata norte-americano, entre candidatos à Casa Branca de esquerda e moderados, dominou o segundo debate, com Bernie Sanders e Elizabeth Warren a imporem as suas visões de como derrotar Donald Trump em 2020.

Longe do esperado confronto entre Sanders e Warren, os aspirantes à nomeação democrata mais populares da noite de terça-feira, os senadores atacaram um grupo de moderados com resultados muito inferiores nas sondagens de opinião, liderado pelo ex-congressista John Delaney.

Não entendo porque alguém se candidata à presidência dos Estados Unidos para falar do que não podemos fazer ou daquilo pelo qual não devemos lutar", disse Warren sobre os candidatos democratas moderados, que acusou se usarem argumentos dos republicanos.

"Estou um pouco cansado dos democratas com medo das grandes ideias, os republicanos não têm medo das grandes ideias", disse Sanders.

O debate, que decorreu em Detroit, no estado do Michigan, e foi organizado pela estação de televisão CNN, começou por se focar no sistema de saúde, com Sanders e Warren a serem os únicos candidatos a defender um modelo totalmente público, conhecido como "Medicare for all", que contempla a supressão das seguradoras privadas.

Por que temos de ser tão extremistas?", questionou Delaney, ao apresentar-se como o único candidato com experiência no "negócio da saúde".

"Não é um negócio", respondeu Sanders, que defendeu a saúde como um "direito humano", ao qual devem ter acesso gratuito todos os norte-americanos e todos os imigrantes ilegais

Nesse ponto, o congressista Tim Ryan considerou que a proposta de Sanders terá um efeito de chamada e defendeu que os imigrantes clandestinos devem pagar os serviços de saúde.

Já em relação à imigração, todos os participantes concordaram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o inimigo comum, mas divergiram sobre a questão.

Neste momento, temos 100 mil pessoas na fronteira. Se descriminalizarmos a entrada, se dermos saúde gratuita para todos, teremos muitos mais", disse o governador do estado do Montana, Steve Bullock, em novo confronto com Sanders e Warren.

 

Se uma mãe e o filho fazem um caminho perigoso de milhares de quilómetros, do meu ponto de vista, não são criminosos", sublinhou, por sua vez, Sanders.

Durante o debate, que se prolongou por duas horas e meia, os candidatos também abordaram temas como o controlo de armas, a dívida estudantil, os impostos para os mais ricos, a crise climática e, em menor medida, a política externa.

Além de Sanders, Warren e Delaney, de Ryan e Bullock, participaram no debate o autarca de South Bend (Indiana), Pete Buttigieg, o ex-governador do Colorado John Hickenlooper, a senadora Amy Klobuchar, o ex-congresista Beto O'Rourke e a escritora Marianne Williamson.

Esta quarta-feira à noite, outros dez candidatos democratas vão participar na segunda parte do debate, centrado nos outros grandes favoritos, a senadora Kamala Harris e o ex-vice-residente dos Estados Unidos Joe Biden, protagonistas dos momentos mais tensos do debate de junho.

/ SS