A Agência Europeia do Medicamento concluiu esta quinta-feira que a vacina da AstraZeneca/Oxford contra o novo coronavírus é "segura e eficaz".

O Comité de avaliação assegura que ainda não é possível correlacionar os casos de eventos tromboembólicos com a toma da vacina da AstraZeneca.

Esta vacina demonstra pelo menos 60% de eficácia em casos clínicos de covid-19", afirmou a diretora executiva da Agência Europeia do Medicamento, Emer Cooke.

As conclusões científicas tomadas dão aos estados-membros da União Europeia a capacidade de tomarem uma decisão informada sobre a inoculação.

Sabine Strauss, chefe do Comité de Avaliação de Risco (PRAC), sublinha que os "benefícios da tomada da vacina contra a covid-19 continuam a ser bem maiores do que os riscos"

O número de eventos tromboembólicos é menor do que o expectável na população geral, não há o risco de os causar e provavelmente diminui o risco de tromboses", explica a especialista da Agência, sustentando que a covid-19 em si potencializa o risco de eventos tromboembólicos.

No entanto, explica Strauss, há ainda incertezas. A Agência Europeia do Medicamento teve conta de "casos raros de pequenos coágulos sanguíneos nos primeiros 7 a 14 dias após a vacinação" com AstraZeneca.

Estes estão associados à trombocitopenia, ou seja, níveis baixos de plaquetas sanguíneas (elementos no sangue que ajudam a coagular), incluindo casos raros de coágulos nos vasos que drenam sangue do cérebro.

Porém, conclui a chefe do PRAC, as evidências não são suficientes para dizer que existe uma ligação direta com a toma da vacina. O estudo sobre estes casos vai continuar.

No total, foram notificados ao regulador europeu 25 casos de eventos tromboembólicos num universo de 20 milhões de vacinados, sendo que nenhum foi identificado durante os ensaios clínicos comandados pela AstraZeneca.

Strauss avança ainda que a Agência Europeia do Medicamento vai distribuir a informação necessária, tanto ao público em geral, como aos profissionais de saúde, para que todos estejam atentos aos possíveis efeitos secundários da vacina.

A posição do regulador surge depois de nos últimos dias vários países europeus, incluindo Portugal, terem decidido por precaução suspender a administração da vacina da AstraZeneca após relatos de aparecimento de coágulos sanguíneos e da morte de pessoas inoculadas com este fármaco.

A Direção-Geral da Saúde convocou, entretanto, uma conferência de imprensa, onde será realizada uma reavaliação sobre o regresso das inoculações com a vacina da AstraZeneca.

Nesta conferência estarão presentes a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, o presidente do Infarmed, Rui Ivo, e o coordenador da task-force para a vacinação, Henrique Gouveia e Melo.

Na mesma linha, o Ministério da Saúde espanhol já comunicou, momentos após a reunião do regulador europeu, a convocação de uma reunião para avaliar o regresso da vacinação com o fármaco desenvolvido pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford.

O Conselho de Saúde espanhol foi assim chamado de urgência e espera-se uma decisão nas próximas horas.

Também é esperado que as autoridades de saúde portuguesas retomem a vacinação dentro de "cinco ou seis dias". Foi esta a posição do coordenador da task force para a vacinaçãoacrescentando que o país deve regressar a um ritmo de vacinação estável.

É de notar que desde há duas semanas que o ritmo de vacinação contra a covid-19 em Portugal tem vindo a abrandar substancialmente.

 

Durante a última semana, as autoridades de saúde administraram 131.531 vacinas nas cinco regiões administrativas. Dessas, a Administração Regional de Saúde do Norte regista a queda mais acentuada, com menos 15. 155 inoculações do que na semana anterior. Na última semana o número de doses administradas foi de 160.033.