A Agência Europeia do Medicamento considerou esta terça-feira que os efeitos secundários registados após a toma da vacina da Johnson & Johnson "são muito raros" e, neste momento, não é possível "identificar grupos de riscos" para os efeitos tromboembólicos.

"Os benefícios são maiores do que os riscos", disse Sabine Strauss, presidente do Comité de Avaliação de Risco, reforçando que a vacina demonstrou nos ensaios clínicos ser "excepcionalmente eficaz" na prevenção de infeções por covid-19.

 

 

A Agência destacou novamente que é possível correlacionar os eventos tromboembólicos com a administração da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson.

Até ao momento, foram registados oito casos destes efeitos secundários, todos eles nos Estados Unidos. A entidade destaca que os casos foram detetados na sua maioria em mulheres com idades abaixo dos sessenta anos, porém estes primeiros dados podem ser atribuídos a uma prevalência do sexo feminino na adesão à vacinação.

 

 

 

No universo dos eventos reportados, sete pacientes sofreram tromboses do seio venoso cerebral, com um caso de trombose venosa profunda também registado.

Em um dos casos, a vítima foi vacinada enquanto estava a tomar um contraceptivo oral. Sobre isto, o regulador informa que ainda é cedo para tirar conclusões, mas que as investigações a uma possível ligação irão continuar.

A União Europeia destacou também que irá iniciar uma nova investigação independente aos efeitos secundários e informou que a Johnson & Johnson terá de entregar um novo relatório.

A diretora executiva da Agência Europeia do Medicamento sublinha ainda que os coágulos sanguíneos devem constar nas informações do produto como "possíveis efeitos secundários", ainda que "extremamente raros".

Emer Cooke, a diretora executiva, afirma que, "quando as vacinas são entregues a milhões de pessoas, é muito possível que estes efeitos aconteçam". Porém, o sistema de supervigilância em curso na Europa permite identificar rapidamente estes efeitos.

Entendimento semelhante teve já o regulador europeu sobre a vacina da AstraZeneca contra a covid-19.

No dia 9 de abril, a EMA iniciou uma investigação sobre casos de coágulos sanguíneos nos Estados após a toma da vacina da Johnson & Johnson contra a covid-19, dias antes de o fármaco chegar à UE.

Já no dia 13 de abril, as autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendaram uma pausa na administração da vacina anti-covid-19 da Janssen, para permitir investigar relatos de coágulos sanguíneos potencialmente associados à toma do fármaco.

Esta situação levou a empresa a atrasar o envio do fármaco de dose única para a Europa.

Ainda assim, na passada quarta-feira, Portugal recebeu as primeiras 31.200 doses da vacina da Janssen contra a covid-19, que estão armazenadas e a aguardar por esta decisão.

Ao todo, foram já distribuídas para a UE quase 178 mi doses desta vacina de dose única da J&J, autorizada pela EMA a 11 de março passado, de acordo com os dados dos Estados-membros transmitidos ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

A ferramenta ‘online’ do ECDC para rastrear a vacinação da UE dá também conta que só dois Estados-membros administraram até agora a vacina da Janssen: Polónia (28.729) e Luxemburgo (625).

Ainda de acordo com os dados do ECDC, 7,9% da população adulta da UE já está totalmente inoculada (com as duas doses), enquanto 20,5% recebeu a primeira dose da vacina, ainda longe da meta dos 70% estipulada pela Comissão Europeia para final do verão.