Entra esta segunda-feira em vigor a lei que prevê dá aos trabalhadores franceses o “direito de se desconectarem”. A lei aprovada em maio passado pelo parlamento exige que empresas, com mais de 50 funcionários, estabeleçam horários durante os quais estes podem, ou não, responder a emails relacionados com trabalho.

Segundo a escreve a revista Fortune, o objetivo da lei é garantir que os trabalhadores são pagos de forma justa pelo seu trabalho e, ainda, prevenir esgotamentos protegendo a vida privada e familiar dos mesmos.

Benoit Hamon, do Partido Socialista francês, explicou em declarações à BBC o que motivou a criação desta lei: “É uma resposta às dificuldades dos funcionários que saiam do escritório, mas não deixavam o trabalho. Ficam presos com uma espécie de trela eletrónica, como os cães”.

Apesar desta lei proteger os trabalhadores, ela faz parte de um pacote legislativo alargado, aprovado em maio, que visiva liberalizar o mercado laboral em França. Entre outras medidas, tornou maios fácil o despedimento, o que levou a muitos protestos.

O correio eletrónico profissional é, segundo diversos estudos, uma fonte significativa de stress. Por exemplo, um grupo de professores da Universidade de Stanford estimou que o cansaço extremo e o stress, por motivos profissionais, custa mais 125 a 190 mil milhões de dólares, por ano, ao serviço de saúde norte-americano.

Além do caso francês, outras empresas europeias já assumiram os perigos do trabalho fora de horas. Em 2012, a Volkswagen, por exemplo, bloqueou o enviou de emails para os telefones dos funcionários fora das horas laborais.

Também o ministério alemão do Trabalho fez aprovar em 2014 uma lei idêntica, mas menos restritiva. Patrões ficaram impedidos de telefonar ou enviar emails aos funcionários, fora do horário normal, a não ser em casos de emergência.