Pelo menos 52 palestinianos morreram e mais de 1200 ficaram feridos em protestos junto à fronteira com Gaza e nos territórios da margem ocidental do rio Jordão contra a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém, prevista para esta segunda-feira.

De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde palestiniano, que está em permanente atualização, os palestinianos foram atingidos por disparos de metralhadoras de militares israelitas.

O exército israelita acusa, por sua vez, o Hamas de estar a instigar a violência junto à fronteira para forçar os militares a dispararem.

Milhares de palestinianos estão reunidos, nesta segunda-feira, em vários pontos da fronteira e pequenos grupos tentaram aproximar-se das barreiras de segurança que estão fortemente vigiadas pelo exército.

Segundo a agência espanhola EFE, as forças israelitas, que haviam alertado a população para não se aproximar da linha divisória, dispararam gás lacrimogéneo contra os manifestantes para impedir que se aproximassem do portão de segurança.

O exército israelita espera que dezenas de milhares de palestinianos participem nos protestos contra a transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém.

Em panfletos lançados por caças, o exército israelita avisa que "atuará contra qualquer tentativa de danificar a vedação de segurança ou atacar soldados ou civis israelitas".

Esta transferência coincide com o 70º aniversário do estabelecimento do Estado de Israel.

Na terça-feira, os palestinianos assinalam o Nakba (desastre, em árabe), que designa o êxodo palestiniano em 1948, quando pelo menos 711.000 árabes palestinianos, segundo dados da ONU, fugiram ou foram expulsos das suas casas, antes e após a fundação do Estado israelita.

No domingo, o líder da rede terrorista Al-Qaeda Ayman al-Zawahiri apelou à resistência "através da guerra santa" contra os Estados Unidos.

"Grande dia para Israel", diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou hoje a transferência da embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém, em Israel, e afirmou ser "um grande dia" para Israel.

Donald Trump escreveu muito entusiasmado na sua conta no Twitter que os preparativos para o evento já tiveram o seu arranque e que este é “um grande dia para Israel”.

O líder norte-americano sublinhou ainda que o canal de televisão Fox, de que é um fiel telespetador, transmitirá a cerimónia em direto.

Ivanka Trump e Jared Kushner, a filha mais velha e o genro do presidente - que são também seus conselheiros - vão participar com centenas de dignitários de ambos os países numa cerimónia a partir das 16:00 (hora local, 14:00 horas em Lisboa).

Em Washington, Donald Trump vai participar por mensagem de vídeo durante esta cerimónia.Dezasseis palestinianos foram mortos hoje na Faixa de Gaza por tiros dos soldados israelitas na fronteira, onde milhares de pessoas estão a protestar contra a transferência para Jerusalém da embaixada dos Estados Unidos, segundo o Ministério da Saúde local.

Decisão “sem visão”, reafirma Moscovo

A Rússia criticou hoje a decisão de Trump de transferir a embaixada norte-americana para Jerusalém, afirmando tratar-se de uma medida “sem visão” que irá alimentar ainda mais as tensões entre Israel e os palestinianos.

A declaração foi feita pelo ‘número dois’ da diplomacia russa, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Mikhail Bogdanov, em declarações à agência noticiosa russa Interfax.

À Interfax, o vice-ministro russo reforçou que a decisão da administração Trump “vai contra a posição da maioria da comunidade internacional”.

O representante da diplomacia russa culpou ainda os Estados Unidos pela “grave escalada em torno de Gaza”, advertindo que a transferência da embaixada norte-americana “poderá desencadear confrontos em grande escala entre palestinianos e israelitas e provocar um número crescente de vítimas”.