Uma deputada australiana fez, esta quarta-feira, um discurso emocionado sobre a educação rígida que teve enquanto vítima de violência doméstica.

Emma Husar, do Partido Trabalhista, falava perante o parlamento australiano numa discussão sobre vítimas e famílias de vítimas de violência doméstica, e confessou que 29 dos seus 36 anos foram vividos nesse flagelo.

Levei muito tempo a superar esse trauma e a chegar onde estou hoje”, afirmou, acrescentando que, até aos seus 13 anos, assistiu a sucessivas cenas de violência do pai, “sempre bêbado e abusivo”, perante a mãe.

O meu pai era filho de um soldado alemão da Segunda Guerra Mundial que cometeu muitos atos de violência contra a própria mulher e contra os sete filhos", disse Husar, com a voz trêmula de emoção.

O meu pai foi criado num lar onde a violência era uma norma aceite, onde a sociedade considerava que esta questão era um assunto privado”, continuou, em lágrimas, explicando que, apesar dos pedidos de desculpa, as cenas de violência voltavam sempre a repetir-se.

Isso levou a que Husar, a irmã e a mãe tivessem de fugir para um abrigo de apoio a mulheres vítimas de violência.

A maior parte das vítimas não fala sobre violência doméstica, porque as outras pessoas também não falam. Por muitos anos, eu tive vergonha. Eu sei que não deveria ter.”

Mais tarde, no Twitter, a deputada explicou que contou a sua história para "apoiar e defender" milhares de mulheres.

Redação