O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu este domingo que o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, deve aceitar o resultado das sondagens e deixar o poder e defendeu que Vladimir Putin deve exercer pressão nesse sentido.

É evidente que Lukashenko tem de partir”, disse Macron ao Le Journal du Dimanche na véspera de uma viagem à Lituânia na segunda-feira, que acolhe alguma da oposição bielorrussa.

Na sua opinião, “o que está a acontecer na Bielorrússia é uma crise de poder, um poder autoritário que não aceita a lógica da democracia e resiste pela força”.

O presidente francês acredita que, para que Lukashenko deixe a presidência, para além da mobilização da comunidade internacional, é preciso que Moscovo exerça o seu peso tendo em conta a sua “proximidade” e o facto de a maioria dos manifestantes da oposição não questionar os laços entre os dois países vizinhos.

Macron já sublinhou esta mensagem numa conversa com Putin, a 14 de setembro, quando o chefe de Estado russo recebeu Lukashenko em Sotchi.

“Eu disse-lhe”, explicou, “que a Rússia tem um papel e que este papel pode ser positivo se pressionar Lukashenko a respeitar a verdade das urnas e a libertar os prisioneiros políticos. Isso foi há 15 dias e ainda não conseguimos”.

Embora não conste do programa oficial da visita, o Palácio do Eliseu não excluiu um eventual encontro de Macron em Vilnius com a líder da oposição no exílio, Svetlana Tijanovskaya.

Centenas de milhares de bielorrussos têm protestado desde a eleição presidencial de 9 de agosto, cujos resultados oficiais estenderam o mandato de 26 anos de Alexander Lukashenko, atribuindo-lhe 80% dos votos. A sua principal rival, Svetlana Tsikhanoskaya, obteve 10%.

A oposição diz que houve fraude e os Estados Unidos e a União Europeia consideraram que o escrutínio não foi livre nem justo.

Alexander Lukashenko iniciou formalmente o seu sexto mandato na quarta-feira, após uma cerimónia de posse que não foi anunciada.

A União Europeia, a Alemanha, os Estados Bálticos, a Polónia e os Estados Unidos já indicaram não reconhecer Lukashenko como presidente legitimamente eleito da Bielorrússia.

/ AG