"Não te vais livrar de mim. Eu vou voltar e vou casar contigo." A frase foi proferida por Emmanuel Macron, o atual candidato às presidenciais francesas, quando este tinha apenas 18 anos. A destinatária desta declaração? Brigitte, sua professora de teatro, na altura com 42 anos.

O agora casal conheceu-se em 1994. Emmanuel tinha 15 anos quando Brigitte Trogneux, de 39, na altura casada, passou a ser sua professora na cidade de Amiens.

Os dois ter-se-ão apaixonado quando o jovem que frequentava o 11º ano, convenceu a professora, que dirigia o clube de teatro da escola, a escreverem uma peça em conjunto.

Escrever em conjunto fez com que estivéssemos um com o outro todas as noites de sexta-feira e isso criou uma proximidade incrível”, afirmou Brigitte Trogneux numa entrevista à Paris Match.

No entanto, os pais do jovem aluno não gostaram da aproximação entre os dois e transferiram-no de escola. Foi então que Emmanuel Macron garantiu à professora que voltaria e que casaria com ela.

Apesar de separados, Emmanuel e Brigitte mantiveram contacto. Num documentário sobre o seu, agora, marido, Brigitte revelou que foi "completamente cativada pela inteligência" do aluno.

Ele não era como os outros. Ele discutia com os professores. Ele estava sempre cheio de livros. Não era um adolescente. Era uma relação de adulto para adulto. (...) [E] Pouco a pouco ele quebrou a minha resistência", revelou.

Quando Macron fez 18 anos, os dois iniciaram o namoro em segredo. Brigitte viria depois a divorciar-se e deixou para trás toda a sua vida familiar para viver o romance com o jovem aluno.

Na mesma entrevista, Brigitte revela que chegou a pensar que se não oficializasse a relação com Emmanuel "estaria a deixar de aproveitar a vida”.

O casal casou-se em 2007 e foi obrigado a suplantar vários obstáculos, entre os quais a diferença de idades, a versão machista da sociedade, e o facto de Brigitte ter abandonado o primeiro marido com quem teve três filhos.

Segundo a Paris Match, o atual candidato à presidência francesa considera que o casamento foi "a consagração oficial de um amor clandestino, em primeiro lugar, muitas vezes escondido, incompreendido por muitos antes de os convencer."

Emmanuel Macron, de 39 anos, diz ainda que a "verdadeira coragem" veio da mulher, agora com 64 anos,.

Ela tinha três filhos e um marido. Do meu lado, eu era um estudante e nada mais. Ela não me amava por aquilo que eu tinha ou por uma situação. Pelo conforto ou segurança que eu lhe dava. Ela desistiu de tudo por mim. Mas fê-lo com uma preocupação constante com os seus filhos. (...) A nossa família é a minha base, o meu rochedo. A nossa história ensinou-nos que uma vontade tenaz não pode ceder ao conformismo".

Emmanuel Macron foi considerado o grande destaque nestas eleições. O ex-ministro francês da Economia anunciou a sua candidatura em novembro, depois de cerca de três meses de espera. Ao longo dos meses de campanha viu a sua vida pública e privada ser escrutinada nas primeiras páginas dos jornais franceses e internacionais. 

Em fevereiro deste ano, Macron viu-se obrigado a desmentir os rumores sobre relações extraconjugais e de usar o casamento para esconder a sua homossexualidade.