O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu esta segunda-feira mais ambição aos países “maiores emissores” de dióxido de carbono, durante a cimeira da ONU sobre o clima (COP26) que decorre até 12 de novembro em Glasgow, na Escócia.

“A chave para os próximos 15 dias, aqui na COP, é que os maiores emissores, cujas estratégias nacionais não estão em linha com a nossa meta de 1,5 graus, aumentem as suas ambições nos próximos 15 dias. É a única forma de tornarmos a nossa estratégia mais credível", afirmou o chefe de Estado francês na sessão plenária da Cimeira de Líderes Mundiais da 26.ª Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre alterações climáticas (COP26).

Macron pediu àqueles países que “elevem a sua ambição nos próximos 15 dias”, numa alusão à Rússia e à China, que estão ausentes em Glasgow, embora esteja prevista uma declaração escrita do líder chinês, Xi Jinping.

Na sua intervenção, o Presidente francês pediu igualmente que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) verifique que as transferências dos países mais industrializados para mitigar as alterações climáticas nos países em desenvolvimento cheguem realmente ao seu destino.

“Os países de África, do Pacífico, das Caraíbas e da América Latina e América do Sul que mais precisam não são os que recebem a maioria desse financiamento, nós sabemos”, acusou, sugerindo que a OCDE deve produzir um relatório anual “em plena transparência” sobre a utilização de cem mil milhões de dólares que os países desenvolvidos se comprometeram a entregar entre 2020 e 2025.

Segundo a OCDE, apenas 79,6 mil milhões de dólares foram reunidos no âmbito deste compromisso internacional, e Macron deixou a mensagem aos seus pares de que a França e a União Europeia “estiveram ao nível dos seus compromissos e até um pouco mais acima”.

O Presidente francês defendeu que “todos os países desenvolvidos devem contribuir, na sua justa medida, porque a liderança exige "exemplo”, e referiu que “os três eixos essenciais” que permitiram o Acordo de Paris em 2015 foram “a ambição, a solidariedade e a confiança”.

“Sabemos que nossa meta é de 1,5 graus até ao final do século”, afirmou, advertindo que o mundo caminha, porém, para um aumento de 2,7 graus no final do século em relação aos valores pré-industriais e os anúncios feitos em vésperas da COP26 “começam a reduzir essa lacuna", mas não a fechá-la”.

 

Aumentar os compromissos e acelerá-los para reduzir as emissões de CO2 em 2030 "é a única maneira de tornar credível” a meta de 1,5 graus, disse ainda.

Mais de 120 líderes políticos e milhares de especialistas, ativistas e decisores públicos reúnem-se até 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia, na 26.ª Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre alterações climáticas (COP26) para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de covid-19, segundo a ONU, que estima que, ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

/ BMA