Uma manifestação de centenas de libaneses em Beirute contra a “cooperação” do presidente francês Emmanuel Macron com os seus dirigentes considerados “corruptos” degenerou esta terça-feira em confrontos com a polícia, com pelo menos 22 feridos, indicou uma ONG.

A concentração iniciou-se de forma pacífica antes de os manifestantes lançarem pedras em direção às forças policiais, que responderam com gás lacrimogéneo. De acordo com a Cruz Vermelha libanesa, uma organização não governamental (ONG), registaram-se 22 feridos, um deles hospitalizado.

Os manifestantes criticavam o presidente francês, que no mesmo momento se reunia na capital libanesa com responsáveis políticos que desde há meses são contestados nas ruas pela população.

Deveria vir escutar-nos, ajudar-nos a concretizar as nossas aspirações, e não sentar-se ao lado dos corruptos e criminosos que mataram o seu povo”, disse um dos participantes, citado pela agência noticiosa AFP.

Os manifestantes, mobilizados após um apelo de uma coligação de coletivos do movimento de contestação, ergueram bandeiras libanesas e ecoaram palavras de ordem contra uma classe dirigente “corrompida” e um “sistema confessional clientelista”, apelando à construção de um “novo Líbano” assente num Estado laico e moderno.

De visita ao Líbano pela segunda vez após a gigantesca deflagração no porto de Beirute em 04 de agosto, que provocou 188 mortos e devastou diversos bairros da capital, Macron acentuou hoje a pressão sobre os responsáveis políticos libaneses e apelou para o início “o mais rapidamente possível” de efetivas reformas que respondam aos amplos protestos da população, que considera os seus dirigentes responsáveis por esta explosão, acusando-os de negligência e corrupção.

O Líbano é regido por um sistema de partilha comunitária do poder desde a sua independência da França em novembro de 1943, que alimentou a corrupção e o clientelismo.

Sob pressão internacional e da rua, diversos responsáveis políticos do país, incluindo o chefe de Estado Michel Aoun e o presidente do parlamento Nabih Berri, apelaram nos últimos dias à “alteração do sistema confessional” e à instauração de um “Estado laico”.

A explosão no porto de Beirute de 2.750 toneladas de nitrato de amónio provocou 188 mortos, mais de 6.500 feridos e perto de 300.000 desalojados, tendo deixado destruídas partes da capital libanesa.

O Banco Mundial avaliou os estragos e perdas económicas entre 5,6 mil milhões e 6,8 mil milhões de euros e indicou na segunda-feira que o Líbano tem necessidade urgente de 507 milhões a 637 milhões de euros.

/ AG