O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu que as negociações a nível europeu para forçar as plataformas digitais a removerem imediatamente conteúdo terrorista ‘online’ devem “ter sucesso o mais rapidamente possível”.

“[É] urgente e necessário que as negociações europeias sobre a remoção de conteúdos terroristas na Internet, no prazo de uma hora, possam ser concluídas o mais rapidamente possível”, declarou o chefe de Estado à imprensa após uma reunião com o primeiro-ministro da Estónia, Juri Ratas, no palácio presidencial do Eliseu, em Paris.

A implementação de um regulamento ao nível da União Europeia é atualmente objeto de discussões entre o Parlamento europeu e os Estados membros, nomeadamente no que se refere à liberdade de expressão e aos meios de regulamentação das plataformas.

Para Macron, o “conteúdo terrorista não é um conteúdo ilícito como outro qualquer: é assassino, é altamente viral” e, portanto, é “um grande problema de segurança, tendo em vista a ameaça terrorista” que todos enfrentam.

Há cerca de duas semanas, o professor francês Samuel Paty foi decapitado num ataque ‘jihadista’ nos arredores de Paris. Paty havia sido alvo de ataques nas redes sociais e de uma mobilização ‘online’ por mostrar aos seus alunos do 4.º ano caricaturas de Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão.

O primeiro-ministro, Jean Castex, insistiu, em Bruxelas, no dia 23 de outubro, na urgência de uma “regulamentação muito mais forte” das redes sociais a nível europeu, após uma reunião com o Comissário Europeu para o Mercado Interno e Digital, Thierry Breton, que deve apresentar legislação no dia 02 de dezembro para regular melhor as plataformas.

Depois de um almoço com Macron, Juri Ratas afirmou a “solidariedade” do seu país com a França na defesa dos “valores republicanos” e “contra o radicalismo” islâmico.

Os dois líderes assinaram uma “parceria estratégica” para fortalecer a cooperação entre Paris e Talin “em termos de segurança, defesa, cibersegurança, energia e clima”, disse Macron, lembrando que a Estónia “desenvolveu uma perícia reconhecida” contra os ciberataques.

A nível de segurança, Macron insistiu que a França está totalmente empenhada na segurança do espaço báltico, onde participa desde 2017 num dispositivo de segurança dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e que vai ser reforçado em 2021 com um contingente estacionado durante um ano no solo da Estónia.

Sobre as relações com a Rússia, defendeu que a posição da França é garantir a reconstrução "progressiva" da confiança com Moscovo, num momento em que os "desafios de segurança para lidar com a Rússia se multiplicam".

"A minha principal intenção é melhorar as condições de segurança coletiva e de estabilidade europeia, bem como a segurança de todos os membros europeus. Um processo que requer exigência e vai decorrer sem concessões", apontou Macron, na véspera do Conselho Europeu que se realiza na quinta-feira.

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