A candidata da extrema-direita às eleições presidenciais francesas Marine Le Pen reuniu-se, esta sexta-feira de manhã, de forma inesperada, com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo.

De acordo com a imprensa russa, Vladimir Putin disse à líder da Frente Nacional que o Kremlin não tem intenção de interferir nas eleições francesas marcadas para 23 de abril e 7 de maio de 2017.

De nenhuma maneira queremos influenciar os acontecimentos, mas reservamo-nos o direito de falar com representantes de todas as forças políticas, como fazem os nossos parceiros, mesmo na Europa e os EUA", afirmou o presidente russo.

 

A Rússia atribui grande importância às suas relações com a França, e tentamos manter relações de igualdade com os dois representantes do atual governo e da oposição", acrescentou o líder do Kremlin, de acordo com agências de notícias russas.

(Foto: Reuters)

Marine Le Pen chegou esta sexta-feira de manhã à capital da Rússia para encontros com legisladores do país (os membros da Duma - câmara baixa do Parlamento). A visita da política francesa foi anunciada na quinta-feira e é a quarta visita oficial a Moscovo desde 2011, numa altura em que falta precisamente um mês para a primeira volta das eleições francesas, marcada para 23 de abril.

Na capital russa, a líder da Frente Nacional encontrou-se com deputados, mas não era claro se iria reunir-se também com o presidente do país, Vladimir Putin. A imprensa russa noticia agora que esse encontro já aconteceu e que Le Pen foi recebida no Kremlin.

“Seria muito interessante trocar pontos de vista consigo sobre como desenvolver as nossas relações bilaterais e sobre a situação que existe na Europa. Sei que representa um espetro de forças políticas europeias que está a crescer muito depressa”, disse Putin, de acordo com as agências russas de notícias.

Por seu lado, a líder da Frente Nacional, disse que a França e a Rússia têm profundos laços culturais, económicos e estratégicos. Marine Le Pen sublinhou que o encontro com o presidente russo é muito importante perante a ameaça terrorista global.

Seria útil a troca de informações entre os serviços secretos dos nossos países", explicou a política francesa, referindo-se ao terrorismo internacional e ao atentado de quarta-feira em Londres.

Vladimir Putin indicou que "todos vivemos sob as mesmas condições difíceis. Devemos reconhecer a realidade deste perigo e unir forças contra o terrorismo".

O presidente russo fez referência ao incidente desta sexta-feira de madrugada na Chechénia, quando seis soldados da Guarda Nacional da Rússia morreram ao repelir uma incursão guerrilheira contra um recinto militar.

Este ataque foi um dos mais sangrentos dos últimos tempos na Chechénia, onde, à semelhança de outras repúblicas russas de maioria muçulmana do norte do Cáucaso, atuam grupos guerrilheiros islamitas.

 
Aline Raimundo