O Reino Unido vai pagar a 90 jovens saudáveis ​​para infetá-los com covid-19, noticia esta quinta-feira o The Guardian.

Com idades entre os 18 e os 30 anos, os jovens receberão 4.600 euros a título de compensação financeira. Em troca, além de serem infetados com o vírus, terão que ficar entre duas a três semanas numa unidade de biossegurança do Royal Free Hospital, em Londres, e ter avaliações periódicas durante pelo menos um ano.

Recorde-se que o governo britânico aprovou esta quarta-feira o primeiro estudo mundial sobre a covid-19 no qual os voluntários serão deliberadamente infetados com o vírus para testar a eficácia de vacinas e tratamentos.

O objetivo destes “estudos de desafio” [challenge studies, em inglês] é estabelecer qual a quantidade mínima de vírus necessária para causar a infeção, o que permitirá aos médicos compreender melhor a doença e ajudar na resposta à pandemia, explicou o revelou o Ministério da Economia, Energia e Estratégia Industrial.

Um dos primeiros a juntar-se ao projeto foi Alastair Fraser-Urquhart, de 18 anos. Em declarações ao jornal britânico, o jovem acredita que "estes testes podem acelerar o desenvolvimento de vacinas e torná-las ainda melhores".

Se tivéssemos começado estes testes mais cedo, poderíamos ter distribuído mais vacinas no Natal, mas acho que o facto de alguém estar disposto a fazer isto já ajuda muito ", diz o jovem, acrescentando: “Claro que há coisas que me preocupam, como a qualquer outra pessoa, porque existem riscos desconhecidos como, por exemplo, não sei, que talvez haja um risco maior de desenvolver cancro do pulmão aos 50 anos. Mas é o que é. Eu aceitei o risco".

Contudo, o jovem britânico esclarece que não o faz pelo lucro, adiantando que pretende doar os 4.600 euros à People's Vaccine Aliiance, uma organização que luta pelo acesso equitativo às vacinas em todo o mundo.

Honestamente, não preciso do dinheiro na minha vida neste momento, nem o quero. Há quem pense que fazemos isto pelo dinheiro, mas quero deixar claro que essa não é a razão de todos", conclui Alastair.

O estudo deverá começar dentro de um mês e vai usar a variante inicial do vírus SARS-Cov-2 confirmada no Reino Unido desde março de 2020 e que os cientistas consideram ter um risco reduzido em adultos jovens saudáveis, à qual os voluntários vão ser expostos "um ambiente seguro e controlado” e acompanhados de perto por médicos e investigadores. 

Até agora, os testes clínicos às vacinas são feitos com voluntários que são imunizados primeiro e depois expostos naturalmente ao vírus, no convívio social numa comunidade onde existem altos níveis de infeção.

O Reino Unido é um dos países com o plano de vacinação mais avançado, tendo imunizado já mais de 15,5 milhões de pessoas, das quais 546 mil com uma segunda dose, a qual é administrada com um intervalo de até 12 semanas.

É também o país com o balanço de mortalidade mais elevado da Europa e o quinto a nível mundial, atrás dos Estados Unidos, Índia, Brasil e México, tendo registado 118.195 óbitos confirmados desde o início da pandemia covid-19.