Em cinco dias, Paulina Carvajal de González perdeu o marido, os pais e o irmão, vítimas da pandemia de Covid-19.

A história desta mulher, também ela vítima do novo coronavírus, chega-nos da cidade portuária de Guayaquil, no Equador, país onde a doença já matou mais de 3.000 pessoas e infetou mais de 35.000, segundo os números oficiais, que geram desconfiança.

Guayaquil, conhecida como "Pérola do Pacífico", ela que é porta de entrada para praias paradisíacas e para as Galápagos, foi a cidade mais fortemente atingida pela pandemia, sobretudo na segunda quinzena de março e até meados de abril.

Cerca de dois meses depois daqueles fatídicos dias, Paulina, jornalista, 39 anos, mãe de duas filhas menores, recordou a sua tragédia familiar em entrevista à agência de notícias espanhola Efe.

Todos tivemos Covid-19 aqui em casa, mas os casos mais graves foram do meu marido, que morreu no dia 25 de março com o meu pai, e da minha mãe, que morreu no dia 30, com o meu irmão", contou, lembrando que o facto de ser uma família unida e presente levou aos contágios.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ha pasado más de una semana desde que empezó esta pesadilla para toda mi familia. Realmente aún no puedo creer todo lo que hemos pasado, es algo que me desgarra el corazón, primero mi papito amado, a las pocas horas mi esposo bello y compañero de vida, después mi madre hermosa y luego mi ñañito lindo que vio por nosotros hasta el final. Aunque tengo unas ganas inmensas de gritar, de llorar, de sacar esto que llevo dentro, estoy consciente que no puedo porque tengo que sanarme completamente para poder cuidar y abrazar a mis dos hijas. Estoy segura que sólo la fortaleza que Dios me da es la que me mantiene firme en esto y es por eso y por cada uno de los seres que tanto amo y que ahora no están conmigo que prometo levantarme y seguir por mis dos tesoros. Amado Dios ahora es cuando más tomaré de tu mano y haré que seas tú quien guíe cada uno de mis pasos. Tu propósito en mi y en mis hijas se verá cumplido. Lo prometo. Los amo a los 4 y que Dios los tenga en su gloria. #Teextrañoesposomio #teextrañopapitoymamita #teextrañoñañobello #Diosconnosotros

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A sua vida começou a ficar do avesso na madrugada de 23 de março, quando o marido, Michael González, diabético, começou a sentir dificuldades respiratórias. De manhã foram a um centro de saúde, que estava cheio, mas, apesar das dificuldades, Miguel foi assistido e regressaram a casa, já depois de medicado. Mas horas depois, os sintomas voltaram.

Voltámos ao centro de saúde, mas disseram-nos que não podiam fazer mais nada e que deveria ir ao hospital, mas estava tudo colapsado. Ninguém o quis receber", lembrou Paulina.

Só na tarde de dia 24 conseguiu que o marido fosse hospitalizado.

Quando lá chegámos ele já estava muito mal, quase não tinha sinais vitais, era desesperante. Ele só pedia oxigénio e não havia em lado nenhum", recordou.

E como se aquele sofrimento não fosse já suficiente, Paulina recebeu um telefonema do irmão a dizer que o pai, de 77 anos, também tinha sido internado com problemas respiratórios. No dia seguinte, perdeu marido e pai.

Foi horrível, jamais imaginei algo assim", desabafou.

Mas a perda seria ainda maior.

Dias depois, o seu irmão, de 51 anos, e a sua mãe, de 71, começaram a ter sintomas e também não conseguiram fazer frente à doença.

Paulina e uma irmã sobreviveram, acredita a jornalista que "por milagre" e por terem seguido o conselho das outras três irmãs, de não saírem de casa, recuperando a custas próprias, com medicamentos e oxigénio.

Se não tivesse as minhas filhas não teria lutado pela minha vida. Foi muito duro tudo o que estava a acontecer, mas tive de aguentar-me por elas", confessou.

 
Catarina Machado