Os eleitores turcos foram chamados às urnas este domingo para votar em eleições presidenciais que poderão dar a Racep Tayyip Erdogan um novo mandato com poderes reforçados. As urnas abiram às 08:00 (hora local, 06:00 em Lisboa) e encerraram às 17:00 (hora local, 15:00 em Lisboa) em 181 mil assembleias de voto.

Os primeiros resultados, quando estão contabilizados 75% dos votos, apontam para uma vitória de Erdogan com cerca de 54.7% dos votos. De acordo com estes resultados, o principal candidato da oposição, Muharrem Ince, consegue 29.7%dos votos.

Estas eleições ficaram marcadas por vários incidentes, nomeadamente uma troca de tiros em Erzurum, da qual resultaram três mortos. 

A oposição turca também divulgou várias tentativas de fraude. 

Chegaram-nos numerosas queixas”, sobretudo da província de Sanliurfa (sudeste), declarou o porta-voz do Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), Bulent Tezcan, durante uma conferência de imprensa na sede da formação em Ancara.

Tezcan enumerou vários exemplos de tentativas de introduzir votos falsos nas urnas, evocando uma urna com mais de uma centena de votos, todos pela aliança dominada pelo partido no poder, Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), mesmo antes da abertura das assembleias de voto.

Também divulgou um vídeo, que afirmou ter autenticado, de um homem afirmando que existiam mais boletins que votantes numa assembleia de voto em Suruc.

O procurador de Sanliurfa, à qual pretende Suruç, afirmou ter aberto um inquérito após aquelas alegações e já foram detidas quatro pessoas.

Temendo fraudes, em particular no sudeste de maioria curda, opositores e organizações não-governamentais mobilizaram várias centenas de milhares de observadores.

“Na região houve ataques, ameaças para deter os nossos observadores”, afirmou Tezcan.

Lamentou igualmente a presença de “pessoas armadas nas ruas”, que tentam criar, segundo ele, “um ambiente de terror para os eleitores”.

O Partido Democrático dos Povos (HDP, principal formação pró-curda e de esquerda) também divulgou nas redes sociais tentativas de fraude e de intimidação no sudeste.

De acordo com a agência Reuters, Muharrem Ince apelou aos cidadãos para protegerem as urnas de uma eventual fraude realizada pelo partido de Erdogan. 

Além do presidente, os eleitores turcos foram também chamados a eleger os deputados que vão ocupar os 600 assentos do parlamento. 

Apesar de ser o candidato favorito, Erdogan, líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), enfrentou nestas eleições uma oposição determinada a acabar com os seus 15 anos no poder.

Caso não haja um vencedor com maioria, os turcos serão novamente chamados a votar numa segunda volta, a 8 de julho.

Uma coisa é certa: o vencedor destas eleições será o presidente mais poderoso da história moderna do país, uma vez que o cargo de primeiro-ministro será dissolvido e o presidente passará a ter também o poder legislativo.

A substituição do atual regime parlamentar por um presidencialista foi decidida depois de um referendo sobre alterações à Constituição, realizado em abril do ano passado. Os resultados do referendo deram luz verde a estas alterações, que permitem ainda que Erdogan possa ficar no poder até 2029.

De resto, Erdogan já saudou a "transição" para uma república presidencialista.

Paralelamente a estas eleições, a Turquia realizou uma revolução democrática. Pela primeira vez, estamos passando por uma transição para o presidencialismo", afirmou o chefe de Estado aos jornalistas depois de votar, no distrito de Üsküdar, em Istambul.

Importa ainda sublinhar que estas eleições só estavam previstas para daqui a um ano e meio, 3 de novembro de 2019, mas Erdogan decidiu antecipar o escrutínio, numa medida que foi muito contestada pelos seus críticos.

Os seus opositores acusam-no de querer beneficiar do estado de emergência que vigora há dois anos e, por outro lado, de evitar que a degradação económica do país - a queda da lira turca, a grande inflação e o défice significativo - tenha impacto na votação. 

Erdogan, de 64 anos, está no poder na Turquia desde 2003, tendo primeiro assumido o cargo de chefe do governo e depois o de presidente.