O polémico comentador de extrema-direita francês, Éric Zemmour, protagonizou um momento polémico, na passada quarta-feira, ao apontar uma espingarda a um jornalista, durante uma visita a uma feira dedicada ao armamento e à segurança interna.

Num vídeo amplamente divulgado nas redes sociais, é possível ver Zemmour a pegar numa espingarda e a apontá-la em direção aos jornalistas.

Já não se está a rir, hein? Afaste-se”, afirmou entre risos.

O caso ganhou uma dimensão ainda maior quando a ministra da Cidadania Marlène Schiappa criticou o gesto controverso através da rede social Twitter.

Apontar armas a jornalistas e dizer-lhes para se afastarem não tem piada. (…) Numa democracia, liberdade de imprensa não é uma piada e não deve ser ameaçada”, apontou a ministra francesa.

Zemmour falou em "humor" e respondeu com a publicação de uma fotografia da rainha Isabel II a apontar uma arma durante uma exibição militar, acompanhada de um emoji de um coração na descrição.

A imprensa internacional não poupou nas comparações entre outros líderes populistas, com particular destaque o presidente brasileiro para Jair Bolsonaro, conhecido pelas suas afirmações em defesa do uso e porte de arma para os "bons cidadãos".

O possível candidato às eleições presidenciais francesas, de 63 anos, tem vindo a ganhar notoriedade nos últimos anos, chegando mesmo a “roubar” eleitorado ao principal partido de extrema-direita, a Frente Nacional, de Marine Le Pen.

Atualmente, há sondagens que dão ao comentador entre 17 a 18% das preferências eleitorais, o que colocaria Le Pen fora da corrida à presidência. A mesma sondagem coloca o atual presidente, Emmanuel Macron, com 25%.

Zemmour ainda não confirmou a intenção de concorrer nas eleições presidenciais francesas, que têm a sua primeira volta marcada para 10 de abril de 2022.