O ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa, anunciou esta terça-feira que o Governo irá discutir com as autoridades das comunidades autónomas do país a possível entrada em vigor de um recolher obrigatório, uma medida que poderá necessitar que se decrete o estado de emergência.

"A segunda vaga já é uma realidade em toda a Europa. A situação é preocupante, também em Espanha. Vem o inverno e devemos estar preparados, reduzir a mobilidade e os contactos, extremar a higiene das mãos, usar corretamente a máscara e manter a distância", afirmou Salvador Illa.

A região de Madrid tinha avançado esta manhã que estava a estudar a possibilidade de pedir ao Governo central que declarasse o recolher obrigatório para garantir que não há deslocação de pessoas a determinadas horas do dia, como foi decidido em França.

O ministro também avisou que, "se for aplicada, seria necessário saber que grupos [partidários] estariam dispostos a apoiá-la no Congresso [parlamento], para ter uma perspetiva de um horizonte [temporal] de mais de 15 dias", tendo insistido que é uma medida que "está sob avaliação e estudo".

O Ministério da Saúde espanhol vai reunir-se na quinta-feira com os responsáveis pela saúde das comunidades autónomas, que têm competências para tomar decisões nesta área, esperando-se que do encontro saia algum tipo de indicação comum para enfrenta a pandemia.

Atualmente, o estado de emergência com limitações à deslocação de pessoas está em vigor até sexta-feira em nove concelhos da região de Madrid, entre eles o da capital do país.

Espanha registou esta terça-feira 13.873 novos casos de covid-19 elevando para 988.322, muito perto de um milhão de casos, o total de infetados no país, segundo números divulgados pelo Ministério da Saúde espanhol.

Por outro lado, as autoridades contabilizaram mais 218 mortes com a doença nas últimas 24 horas, também o maior aumento diário da semana, passando o total de óbitos para 34.210.

A região de Madrid, a mais atingida desde o início da pandemia, tem mais 1.742 casos da doença covid-19 e um total de 283.130.

Deram entrada nos hospitais com a doença nas últimas 24 horas também 1.742 pessoas, das quais 322 na Catalunha, 311 em Madrid e 283 na Andaluzia.

Em todo o país há 13.288 pessoas hospitalizadas com a doença, das quais 1.911 pacientes em unidades de cuidados intensivos.

Na Europa, o maior número de vítimas mortais regista-se no Reino Unido (43.726 mortos, mais de 741 mil casos), seguindo-se Itália (36.705 mortos, mais de 439 mil casos) Espanha (34.210 mortos, mais de 988 mil casos), e França (33.623 mortos, mais de 910 mil casos).

A visão de uma portuguesa em Madrid

A portuguesa Ana Cristina Veiga, que vive na capital espanhola há dez anos, afirma que muitas das regras de segurança não são respeitadas. Admitindo uma situação preocupante, acrescenta que "o dia a dia vai-se fazendo".

A cidade está cheia, há muito movimento", afirmou, em declarações à TVI24.

Ana Cristina Veiga diz que muita gente cumpre as normas, mas que todos os dias se ouvem relatos de grandes festas ou estabelecimentos comerciais.

Há muita gente que não cumpre e isso tem sido um problema. Fora das universidades os jovens juntam-se e é um problema complicado", explicou.

. / publicado por Andreia Miranda