Os partidos e movimentos independentistas da Catalunha reagiram esta segunda-feira com indignação à confirmação de inabilitação do presidente do governo regional, Quim Torra, considerando que se trata de “atentado à democracia”.

O Supremo Tribunal espanhol anunciou a confirmação da inabilitação por um ano e meio do presidente do governo regional da Catalunha, Quim Torra, por desobediência à junta eleitoral central.

O acórdão, aprovado por unanimidade, obriga Torra a abandonar o cargo, durante um ano e meio, alegando que o presidente do governo regional desobedeceu de forma “persistente e obstinada” à junta eleitoral central, que garante a vigilância dos atos eleitorais em Espanha.

Quim Torra admitiu o ato de desobediência, durante o julgamento, declarando que não acatou a ordem da junta eleitoral que o obrigara a retirar as faixas de apoio aos presos do processo político que haviam sido colocadas em prédios públicos, durante o período eleitoral.

A porta-voz da Esquerda Republicana da Catalunha, Marta Vilalta, disse que a decisão do Supremo Tribunal espanhol é um “atentado à democracia” e lamentou que um presidente de governo regional seja inabilitado “por hastear uma faixa e exercer o seu direito à liberdade de expressão.

É um facto gravíssimo (…) e um escândalo democrático”, disse Vilalta, acrescentando que se trata de mais um capítulo “da causa geral contra a independência”.

Os movimentos independentistas Assembleia Nacional Catalã (também conhecida por Movimento pela Independência) e Òmnium Cultural usaram as redes sociais para convocar para o final da tarde desta segunda-feira concentrações de rejeição da inabilitação de Torra, como forma de protesto contra uma decisão que consideram merecer “uma resposta política contundente” das instituições da Catalunha.

Elsa Artadi, porta-voz do partido Juntos por Catalunha, apelou aos catalães para se unirem à volta dos partidos pró-independência, para que estes consigam superar a barreira dos 50% de votos nas próximas eleições regionais.

Durante uma conferência de imprensa, Artadi disse que a decisão do Supremo Tribunal é “uma ingerência indigna e ilegal” do poder judiciário, que confirma a “repressão” do Governo central que “não oferece resposta política” ao conflito na região autónoma.

Artadi disse que o Juntos por Catalunha não apresentará candidato para substituir Torra e que não se irá preparar para eleições, deixando nas mãos do parlamento catalão, presidido pelo republicano Roger Torrent, uma decisão sobre o futuro político imediato da região.

Torrent, por seu lado, fez saber que considera a inabilitação de Torra um ato “impróprio para um sistema democrático”.

Depois de saber a decisão do Supremo Tribunal, Torrent usou a sua conta no Twitter para dizer que expressa todo o seu apoio a Torra, acrescentando que “a repressão não acabará com a vontade da maioria popular”.

Também a presidente do grupo parlamentar catalão do partido Catalunha em Comum – Podemos, Jéssica Albiach, considerou a decisão contra Torra como “desproporcional”.

Parece-me uma consequência jurídica absolutamente desproporcional e um facto muito grave. Porque, independentemente de quem exerça a presidência da Generalitat (governo regional), reivindicamos autogoverno”, disse Albiach.

Da mesma forma, os líderes independentistas que estão em prisão pelo processo político na Catalunha, qualificaram como “vergonha suprema” a decisão do Supremo Tribunal.

O ex-vice-presidente catalão e líder da Esquerda Republicana da Catalunha, Oriol Junqueras, disse que se trata de “um novo ataque judicial do Estado espanhol contra a democracia e as instituições catalãs”.

Carme Forcadell, ex-presidente do parlamento da Catalunha, também usou o Twitter para condenar a decisão e manifestar o “apoio incondicional” a Torra.

Em sentido contrário, Miquel Iceta, líder do Partido Socialista Catalão, em sintonia com as posições do Partido Socialista Espanhol (PSOE) disse que “ninguém está acima da lei” e que a Catalunha “precisa de abrir um novo capítulo” na sua história, logo que possível.

Iceta admitiu que a decisão do Tribunal Superior – o primeiro órgão judicial a condenar Torra – foi “previsível” e que o Supremo apenas confirmou o que era “inevitável”, lamentando que o presidente da Generalitat não tivesse convocado eleições antes de ser inabilitado.

Quim Torra denuncia "golpe" do Estado espanhol e apela ao "colapso democrático"

 

O presidente inabilitado da Catalunha (Espanha), Quim Torra, denunciou esta segunda-feira o “golpe arquitetado” pelo Estado com o objetivo de o destituir, e considerou que a única maneira de a região alcançar a independência é “através do colapso democrático”.

Durante uma declaração aos jornalistas no Palau de la Generalitat, em Barcelona, Torra criticou, citado pela agência espanhola Efe, o “golpe arquitetado pelo Estado”, acrescentando que “a única forma de avançar é através do colapso democrático” com vista à independência da Catalunha e para “deixar para trás o regime de 1978”.

Ladeado pelos vereadores, a declaração de Quim Torra ocorreu depois de uma reunião com o Governo espanhol.

A reunião decorreu pouco depois de o governante ter recebido a notificação oficial da decisão do Supremo Tribunal de Espanha, que confirma a inabilitação de Torra enquanto presidente da região por desobediência.

/ HCL - atualizada às 20:15