O corpo do ex-ditador espanhol Francisco Franco voltou a ser enterrado esta quinta-feira no cemitério de Mingorrubio, em El Pardo, arredores de Madrid, depois de ter sido exumado do Vale dos Caídos, onde estava há quase 44 anos, depois da sua morte em 1975.

Os restos mortais chegaram ao fim da manhã de quinta-feira de helicóptero a El Pardo, onde a família celebrou uma cerimónia religiosa privada.

Franco foi inumado num jazigo familiar onde já estava enterrada a sua mulher, Carmen Polo, desde 1988.

A transferência de local do corpo foi feita depois de uma batalha jurídica que opôs o Governo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) à família de Francisco Franco, que pretendia que o corpo do ditador fosse transferido para a catedral de Almudena, no centro de Madrid.

A exumação teria de ser feita com o “máximo de discrição e respeito possível”, num ato “estritamente privado, sem o acesso dos meios de comunicação”, defendeu o executivo socialista há meses.

Para os socialistas, o corpo do ditador também não podia ser transferido para qualquer local onde houvesse a possibilidade de ser “enaltecido ou homenageado”.

A retirada do corpo do Vale dos Caídos teve o apoio da esquerda espanhola (PSOE e Unidas Podemos), todos os partidos regionalistas, incluindo os independentistas catalães, e contou com a abstenção da direita (Partido Popular e Cidadãos), tendo apenas dois deputados do PP votado contra “por engano”.

Francisco Franco Bahamonde foi um militar espanhol que integrou o golpe de Estado que, em 1936, marcou o início da Guerra Civil Espanhola, tendo exercido, desde 1938, o lugar de chefe de Estado, até morrer em 1975, um acontecimento decisivo para iniciar a transição do país para um sistema democrático consolidado com a Constituição de 1978.