Um hospital de Barcelona está a experienciar uma forma diferente de reabilitar os doentes com covid-19 que estiveram internados nos cuidados intensivos. Naquela cidade espanhola, o Hospital del Mar leva os doentes à praia, para que possam encher os pulmões de ar fresco depois de longas e traumáticas estadias nos serviços de internamento.

É o caso de Francisco Espana, um homem de 60 anos que fez uma pequena visita até à marginal da cidade catalã. Depois de dois meses internado nos cuidados intensivos, fez esta visita acompanhado por um médico e três enfermeiros, que monitorizaram de forma constante os seus sinais vitais.

É um dos melhores dias da minha vida", afirma, em declarações à agência Associated Press.

A médica Judith Marín é uma das participantes da experiência, que afirma servir para "humanizar" as instalações hospitalares, sendo este um programa que se iniciou dois anos antes da pandemia de covid-19 ter surgido, mas que ganha especial relevância numa altura em que as urgências espanholas não têm mãos a medir.

Segundo a clínica, o Hospital del Mar foi forçado a expandir a sua capacidade de cuidados intensivos de 18 para 67 camas durante o mês de abril, altura em que Espanha começava a ser um dos países mais afetados pelo novo coronavírus em todo o mundo.

Foi um grande golpe lidar com recursos escassos e com uma grande carga emocional entre os trabalhadores médicos. Tivemos de reverter todo esse grande trabalho que vínhamos fazendo no campo da atenção terapêutica ”, disse Marín, também em declarações à AP.

As visitas à praia foram retomadas em junho, e os médicos dizem que aqueles dez minutos na praia têm melhorias evidentes no bem-estar dos pacientes. Os especialistas querem levar a experiência mais longe, e o objetivo passa por perceber se a sua aplicação pode ajudar na recuperação a médio e longo termo dos doentes que tiveram covid-19.

Depois de ter passado momentos críticos nos meses de março, abril e maio, a situação sanitária em Espanha melhorou. Mas os dados das últimas semanas parecem apontar claramente no sentido de uma segunda vaga, e os hospitais temem novas enchentes e lotações das unidades de cuidados intensivos. Ao todo, são quase 30 mil as vítimas mortais no país vizinho.

É importante que tenhamos presente o lado emocional e o bem-estar dos pacientes e tentar trabalhar isso durante as primeiras fases da recuperação", acrescenta Marín.

Quanto a Francisco Espana, os 52 dias passados nos cuidados intensivos foram passados de forma difícil, mas o homem reconhece que deve estar "muito feliz" por ter conseguido recuperar da doença, e até já parece falar no passo seguinte à ida à praia: "Talvez me deixem beber uma cerveja na cafetaria".

António Guimarães