A pandemia de Covid-19 tem originado gestos de solidariedade em todo o mundo: houve quem se unisse para fabricar máscaras e viseiras, quem se oferecesse para acolher profissionais de saúde, quem se disponibilizasse para ir fazer as compras aos grupos de risco. Mas nesta onda de solidariedade, há também algumas manchas de egoísmo. E em Espanha têm surgido vários ataques contra trabalhadores mais expostos nesta pandemia e que, por isso, correm maior risco de contraírem o novo coronavírus.

O caso mais recente aconteceu em Barcelona. Uma médica ginecologista encontrou o seu carro vandalizado com uma frase insultuosa, que sugeria que ela podia contagiar alguém com o novo coronavírus.

De acordo com a agência de notícias espanhola, Efe, que partilhou uma imagem do automóvel branco, pintado a negro, a médica ia trabalhar para o hospital quando se deparou com o veículo naquele estado, na garagem do prédio onde vive.

Já esta semana tinha sido notícia o caso de uma trabalhadora de um supermercado, em Múrcia, no sul de Espanha, que encontrou uma nota no prédio, na qual os vizinhos lhe pediam que procurasse outra casa enquanto a pandemia durasse porque não queriam correr o risco de de serem infetados. Miriam Armero foi surpreendida com este recado quando estava com o filho, de 10 anos.

Ao médico Jesús Monllor, de Alcázar de San Juan, em Ciudad Real, aconteceu algo semelhante. Os vizinhos também lhe deixaram um recado na porta de casa, no qual sugeriram que ele se mudasse para "um dos lugares onde estão alojados os profissionais de saúde". A mensagem indignou a presidente da câmara da localidade, que "pediu desculpa" ao médico em nome de todos os residentes do município. O chefe da polícia local também mostrou o seu apoio a Monllor, garantindo-lhe que estava em segurança.

A pandemia de Covid-19 já fez mais de 120.000 mortos e infetou quase dois milhões em 193 países e territórios. 

Espanha é um dos países mais afetados com mais de 18.000 mortos e mais de 172.000 casos de infeção.

Sofia Santana