Dois jornalistas espanhóis e um irlandês foram raptados, na segunda-feira, na sequência de um ataque no Burkina Faso a uma patrulha contra a caça ilegal, disseram esta terça-feira fontes do exército daquele país africano.

O incidente ocorreu na área de Pama, onde homens armados lançaram uma emboscada a uma patrulha contra a caça ilegal no Burkina Faso que era acompanhada por jornalistas.

Três jornalistas, incluindo dois espanhóis e um irlandês, foram raptados. Os raptores conseguiram levar equipamento militar. Estão em curso operações de busca", afirmou uma fonte militar, que solicitou o anonimato, em declarações à agência de notícias espanhola Efe.

O Governo espanhol também confirmou hoje o desaparecimento de dois dos seus nacionais após o ataque, na segunda-feira, a uma patrulha contra a caça ilegal, composta por militares do Burkina Faso e guardas-florestais e que era acompanhada por um espanhol e um irlandês.

"Dois cidadãos espanhóis que estavam no Burkina Faso estão desaparecidos", disseram fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol, em declarações à agência de notícias francesa AFP.

As autoridades espanholas "estão em contacto permanente com as autoridades do Burkina Faso (...) a fim de localizar estes dois espanhóis" e "informam regularmente as famílias" dos dois desaparecidos, acrescentaram.

De acordo com fontes locais e de segurança, um cidadão do Burkina Faso também desapareceu após o ataque, que deixou também três pessoas feridas.

Os dois espanhóis e o irlandês dados como desaparecidos são "jornalistas e formadores que trabalham para uma ONG que opera na área da proteção do ambiente", de acordo com uma fonte de segurança no Burkina Faso.

"Segundo os sobreviventes, dois dos europeus desaparecidos foram feridos durante o ataque". E "a busca está em curso" para os encontrar, bem como aos assaltantes, disse uma fonte de segurança do país.

O ataque foi levado a cabo por homens armados em dois veículos ‘pick-up’ e cerca de uma dezena de motociclos, segundo fontes de segurança, que disseram que armas e equipamento, motociclos, duas ‘pick-up’ e um drone tinham sido levados pelos atacantes.

Vários sequestros de estrangeiros têm ocorrido nos últimos anos no Burkina Faso, que tem enfrentado ataques ‘jihadistas’ cada vez mais frequentes, desde 2015.

Um casal australiano foi raptado em Djibo, na fronteira com o Mali e o Níger, na noite de 15 para 16 de janeiro de 2016, numa ação aparentemente coordenada com ataques em Ouagadougou.

A mulher, Jocelyn Elliot, foi entregue pelos seus raptores às autoridades nigerianas cerca de um mês após o seu rapto. O homem ainda está desaparecido.

Nessa noite, os ‘jihadistas’ abriram fogo em cafés, restaurantes e hotéis na Avenida Kwame Nkrumah, um importante centro de vida noturna em Ouagadougou, matando 30 pessoas e ferindo 71.

Em dezembro de 2018, um casal italo-canadiano tinha desaparecido na estrada entre Bobo-Dioulasso e Ouagadougou. Foi libertado no vizinho Mali, após mais de um ano em cativeiro.

Alguns meses antes, em setembro de 2018, um indiano e um sul-africano foram raptados junto a uma mina de ouro, em Inata, no noroeste do Burkina, e mais tarde libertados.

Inicialmente concentradas no norte do país, junto à fronteira com o Mali, as ações atribuídas aos grupos’ jihadistas’, incluindo aos Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, filiado na Al-Qaida, e o Estado islâmico no Grande Saara, visaram depois a capital e outras regiões, incluindo o leste e o noroeste.

Desde 2015, as ações violentas dos ‘jihadistas’ provocaram mais de 1.200 mortos e mais de um milhão de deslocados, fugindo de zonas de violência.

/ RL