O governo espanhol propôs às diferentes comunidades do país que aceitem ficar com 200 menores não acompanhados que chegaram estes dias a Ceuta vindos de Marrocos. O anúncio foi feito esta quarta-feira pela conselheira de Direitos Sociais, Igualdade, Diversidade e Juventude do governo das Canárias, Noemí Santana, que esteve presente na reunião do Conselho Territorial de Serviços Sociais.

Segundo a responsável, a proposta do executivo visa dividir as duas centenas de crianças e adolescentes entre todas as comunidades de Espanha, sendo que as Canárias, Ceuta e Melilla ficarão fora dessas contas.

Madrid não pode ter apenas 269 menores estrangeiros não acompanhados enquanto as Canárias acolhem mais de 2.600, uma cifra dez vezes superior", disse Noemí Santana, citada pelo jornal El País.

O objetivo do governo é que se possa abrir espaço para acolher outras crianças, numa altura em que centenas de pessoas, muitas delas menores, continuam a chegar a território espanhol.

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A impressionante imagem de um bebé a ser salvo por um polícia no mar de Ceuta

As autonomias têm agora 24 horas para se pronunciarem, sendo que a Comunidade Valenciana, por exemplo, se mostrou disposta a cumprir os requisitos propostos pelo governo.

Em sentido contrário vão Andaluzia, Murcia ou Madrid, que se mostram mais reticentes ao plano do executivo.

Esta tarde chegou à cidade espanhola uma equipa de reportagem da TVI, que testemunhou a passagem dos milhares de migrantes pelo areal. Entre outros pertences, são muitas as roupas que ficaram esquecidas na praia.

Nas últimas 48 horas chegaram a Ceuta cerca de nove mil pessoas vindas de Marrocos. Muitas delas nadaram vários quilómetros, chegando exaustas ao areal. Grande parte destas pessoas são jovens com menos de 18 anos, que chegam sem a família, à procura de um futuro melhor.

O último balanço das autoridades espanholas dava conta que já foram "devolvidos" a Marrocos 5.600 migrantes.

António Guimarães