Um tribunal de júri declarou esta quinta-feira, por unanimidade, Ana Julia culpada da morte do enteado Gabriel Cruz, de oito anos, o menino que foi encontrado no porta-bagagens do carro da madrasta em 2018 e que a mulher confessou ter asfixiado. De acordo com o veredicto final, tratou-se de homicídio qualificado, como tinha sido pedido pelo Ministério Público espanhol.

Ficou por provar a crueldade no crime, levando o tribunal a considerar como provado que Ana Julia Quezada matou o menino de forma intencional e repentina.

Uma vez na quinta de Rodalquilar, Ana Julia, de forma intencional, súbita e repentina, pegou no Gabriel e atirou-o contra o chão ou a parede da casa, e depois do impacto, a acusada, com as próprias mãos, tapou a boca e o nariz do menino com força, até ele ficar sem resistência, provocando-lhe a morte”, concluiu, unânime, o tribunal de júri.

Esta tese é, por isso, consistente com a história da procuradora Elena María Fernández, que pede prisão permanente para a mulher, de acordo com o El Español.

Ana Julia, que confessou ter asfixiado o enteado na quinta dos avós paternos do menino, pode tornar-se na primeira mulher a ser condenada a uma pena de prisão perpétua com possibilidade de ser revista. A sua defesa pedia homicídio por negligência.

A mulher foi ainda considerada culpada pelas lesões psíquicas a Ángel Cruz e Patricia Ramírez, pais da criança. Aqui, o Ministério Público pede penas individuais de cinco anos de prisão.

Cabe agora ao juiz determinar quantos anos Ana Julia vai passar na prisão.

O menino de oito anos foi encontrado morto, no porta-bagagens  do carro da madrasta, em Almeria, Espanha, em março de 2018, depois de ter sido dado como desaparecido a 27 de fevereiro.

A criança tinha desaparecido em Níjar, Almería, quando saiu de casa dos avós, alegadamente para ir brincar com amigos e nunca mais voltou. Doze dias depois, as autoridades encontraram o corpo no carro da namorada do pai, quando esta o tentava transportar para outro lugar, depois de já o ter enterrado e desenterrado.

O julgamento começou na segunda-feira, dia 9 deste mês, sob forte aparato policial, envolvendo dezenas de agentes das autoridades. Mais de 130 jornalistas estavam acreditados para assistir ao julgamento, que envolveu um tribunal de júri, composto por nove efetivos e dois suplentes.

A arguida estava detida preventivamente há um ano e meio, num estabelecimento prisional só para mulheres.

O homicídio de Gabriel fez reacender suspeitas sobre a estranha morte da filha de Ana Julia, em 1996, em Burgos, na sequência da queda de uma janela de um quinto andar, supostamente durante um ataque de sonambulismo.