A câmara municipal de Madrid anunciou esta segunda-feira um plano para caçar e eliminar a maioria dos 12 mil periquitos-argentinos que ameaçam a segurança e a biodiversidade da cidade.

De acordo com o El Pais, está também no plano a esterilização dos ovos desta espécie invasora, que pode ser agressiva e afeta as aves autóctones, como os pardais.

O departamento de Ambiente e Mobilidade, na voz de Borja Carabante, anunciou o plano numa visita à Casa de Campo, umas das zonas com maior presença destes animais. De acordo com o anúncio, o plano será posto em prática no outono do próximo ano e terá um custo de 100 mil euros.

A população de periquitos na capital espanhola aumentou cerca de 88% desde 2016 e é responsável por ruídos incómodos, pela transmissão de doenças a outras espécies e por “roubar” o alimento às outras aves, acabando por expulsá-las da região, afetando a biodiversidade e os ecossistemas.

Embora ainda não tenha havido registo de danos em pessoas, já foram apresentadas 197 queixas por causa dos ninhos, este ano. Os ninhos podem chegar a pesar 200 quilos, mas a média em Madrid ronda os 40 a 50 quilos, o que pode constituir um perigo para os madrilenos, uma vez que a queda de um ninho a uma altura de 15 metros pode ser fatal para uma pessoa, explicou Santiago Soria Carreras, chefe do Serviço de Biodiversidade da autarquia.

Borja Carabante sublinha que o plano cumpre a lei de bem-estar animal e, embora ainda tenha de ser ultimado, espera cumprir-se na segunda metade do próximo ano. O responsável reconhece ainda que não se pode acabar com todas as aves que colonizaram Madrid.

A Invasão começou na década de 80, com a moda de adquirir periquitos como animais de companhia, e prolongou-se nos anos 90.

Em 2011, os periquitos-argentinos entraram na lista de espécies exóticas tropicais do ministério da Agricultura. Até esse ano, terão chegado a Espanha cerca de 200 mil exemplares da espécie, muitos deles libertados.

Acabaram nos parques porque os proprietários se cansavam e soltavam-nos ou porque eles conseguiam escapar das gaiolas”, justificou Carabante.