José Ángel Prenda, um dos cinco membros do grupo conhecido por “La Manada”, condenados por violação de uma jovem, na altura de 18 anos, durante as festas de San Fermín, em julho de 2016, admitiu pela primeira vez ter cometido o crime e pediu "perdão" à vítima e à família.

De acordo com a imprensa espanhola, Prenda escreveu uma carta na prisão onde cumpre a pena, em Cádiz, na qual admitiu ter violado a jovem madrilena em Pamplona, juntamente com os restantes membros do grupo La Manada. 

O homem, que sempre negou o crime em tribunal, manifestou agora o seu “total arrependimento” e pediu “perdão à vítima pelos danos causados”, lamentando “profundamente” o sucedido.

Na carta, enviada ao tribunal de Navarra, Prenda pede que o seu pedido de desculpas seja “comunicado e transmitido à vítima e aos seus familiares através dos meios de que dispõe a Administração da Justiça para o fazer”. A carta acabou por se tornar pública, e o advogado de Prenda, Agustín Martínez, confirmou a sua veracidade à agência Efe.

Os cinco homens - entre os quais figuram um membro da Guardia Civil e um outro do Exército -  foram acusados em 2016 por atraírem e violarem a jovem madrilena, crime que ficou registado em imagens que os próprios gravaram e que partilharam mais tarde. 

No final de abril de 2018, o Tribunal de Navarra condenou os cinco homens a nove anos de prisão. O veredicto causou indignação na opinião pública espanhola, uma vez que o Tribunal reconheceu a ocorrência de um abuso, mas não de violação sexual, por entender que não houve intimidação ou violência necessárias para considerar a ação como violação. 

Centenas de pessoas manifestaram-se contra a decisão judicial, exigindo uma condenação por violência sexual, o que motivou um recurso da sentença por parte da Procuradoria Geral, que exigiu uma pena de 22 anos por agressão sexual, roubo e delito contra a intimidade.

O caso estendeu-se até junho de 2019, altura em que o Tribunal Supremo de Espanha agravou as penas para 15 anos. A indignação da opinião pública contra o que foi designado por “justiça patriarcal” por movimentos feministas levou a um movimento contra a violência de mulheres e à realização de um estudo sobre a adequação dos crimes incluídos no Código Penal sobre agressões sexuais, solicitado pelo Governo de Mariano Rajoy. 

Beatriz Céu