O Ministério do Interior espanhol começou a repatriar alguns dos 800 menores marroquinos que entraram em Ceuta, entre 17 e 18 de maio, e que foram colocados em vários centros criados pelo governo na cidade.

Fontes governamentais confirmaram à agência de notícias EFE que o repatriamento começou na amanhã de sexta-feira, a partir do centro desportivo Santa Amélia, onde se encontram 234 menores.

Os menores regressam a Marrocos em grupos de 15, exceto aqueles que são considerados “vulneráveis”, mas não foi revelado o procedimento nesses casos.

De acordo com outras fontes consultadas pela EFE, foram realizados 15 repatriamentos ao longo do primeiro dia.

Entretanto, o Ministério do Interior não confirmou que as transferências se tenham iniciado, nem a existência de um acordo com Marrocos para o repatriamento.

Segundo a emissora espanhola Cadena Ser, “a pedido do Ministro do Interior” marroquino foi solicitada “a devolução dos menores ao Reino de Marrocos”, através de um comunicado dirigido à delegação do governo em Ceuta e cidade autónoma, na passada terça-feira.

O documento assinala que Marrocos “compromete-se a zelar pelos interesses dos menores”, que serão transferidos para o Centro Martin, na cidade marroquina de Tetuan.

Em 24 de maio, o governo da cidade autónoma de Ceuta dizia que mais de 800 menores marroquinos que entraram ilegalmente neste enclave espanhol no norte de África aguardavam a resolução da sua situação.

A polícia recomendava que as famílias destas crianças se dirigissem aos consulados de Espanha ou à embaixada em Rabat para informar da ausência dos seus filhos ou familiares.

Cerca de 7.800 pessoas já foram devolvidas a Marrocos desde o início da crise - na sua maioria marroquinos e um pequeno grupo de subsaarianos.

Milhares de migrantes, na sua maioria jovens, tinham aproveitado a passividade dos controlos fronteiriços do lado marroquino para entrar ilegalmente em Ceuta na semana passada.

A origem desta última crise entre Espanha e Marrocos está relacionada com a permanência em Madrid do secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, por motivos de saúde.

A Frente Polisário, considerada como um grupo terrorista por Rabat, reivindica o direito à autodeterminação no Saara Ocidental, território que foi colónia espanhola e posteriormente ocupado pelo Marrocos.

Agência Lusa / MJC