O vice-presidente da Comissão Europeia Margaritis Schinas disse esta quarta-feira que a Europa "não se vai deixar intimidar por ninguém" referindo-se à crise migratória entre Espanha e Marrocos.

Numa alusão a Marrocos e à entrada de milhares de pessoas na região autónoma espanhola de Ceuta, no norte de África, Schinas disse que a Europa "não será vítima das táticas" de Rabat. 

Esta quarta-feira, a situação na fronteira entre Ceuta e Marrocos é aparentemente mais calma com apenas algumas dezenas de pessoas a tentar chegar a nado ao lado espanhol da fronteira, ao contrário do que aconteceu nos dias anteriores.

No total, nos últimos dias, entraram em Ceuta mais de oito mil pessoas provenientes de Marrocos, metade das quais foram reconduzidas para território marroquino, de acordo com o governo espanhol. 

A delegação do governo de Espanha em Ceuta confirmou à Efe que a noite "foi relativamente tranquila". 

Esta quarta-feira, alguns migrantes tentaram chegar a nado a Ceuta e um grupo usou uma embarcação tendo sido intercetados pelas três lanchas da Guardia Civil espanhola que patrulham a zona no Estreito de Gibraltar. 

Após terem sido recolhidos no mar, as embarcações da Guardia Civil levaram os migrantes até à praia onde foram acompanhados até ao lado marroquino da fronteira.

Na praia, junto aos agentes da Guardia Civil continuam as unidades militares de Espanha.

Ceuta e Melilla, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, são regularmente palco de tentativas de entrada de migrantes, mas a maré humana de segunda-feira não tem precedentes.

Embora Rabat seja um aliado fundamental de Madrid na luta contra a imigração ilegal, as relações diplomáticas entre os dois países deterioraram-se desde que Espanha recebeu, no final de abril, o líder dos separatistas saarauís da Frente Polisário, Brahim Gali, para ser tratado devido à covid-19, uma decisão que despertou a ira de Rabat.

Ministro marroquino diz que Espanha sabia o “preço de subestimar” o seu país

O ministro dos Direitos do Homem marroquino considera que Espanha sabia "que o preço de subestimar" Marrocos "era muito caro", após decidir acolher o secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, um "inimigo" do seu povo.

Numa nota publicada na rede social Facebook, o ex-ministro da Justiça marroquino Mustafa Ramid disse que Espanha optou pela "relação com a Frente Polisário" e com a Argélia, país que protege esse movimento, "às custas de sua relação com Marrocos".

O político magrebino indicou que Marrocos "sacrificou muito pela boa vizinhança" e "deve ser objeto da atenção" da nação vizinha e da sua grande preocupação no que se refere à Frente Polisário.

Espanha e Marrocos estão a passar por uma crise diplomática sem precedentes depois de o governo de Madrid ter concordado em receber o líder da Frente Polisário por motivos humanitários e mantê-lo hospitalizado num centro de saúde na região de La Rioja.

Marrocos respondeu, permitindo que milhares de migrantes sem documentos entrassem em Espanha nas últimas horas através da fronteira com a cidade espanhola de Ceuta, no Norte da África.

O Governo espanhol teve de mobilizar o exército e avisou Marrocos que defenderá a integridade territorial das suas fronteiras "com todos os meios", e o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, foi a Ceuta manifestar a sua solidariedade para com a cidade neste momento único na sua história.

“A aceitação do Estado da Espanha em receber o presidente do grupo armado Polisário, em hospedá-lo num dos seus hospitais com falsa identidade, sem levar em conta a boa vizinhança que exige coordenação e consulta, ou pelo menos notícias nestes casos, é irresponsável", assegurou Mustafa Ramid.

A Frente Polisário considerada como um grupo terrorista por Rabat, reivindica o direito à autodeterminação no Saara Ocidental, território que foi colónia espanhola e posteriormente ocupado pelo Marrocos.

Desde a manhã de segunda-feira, quase 8.000 migrantes entraram no enclave espanhol de Ceuta a nado ou a pé, uma onda migratória sem precedentes.

Ao mesmo tempo, na madrugada de segunda para terça-feira, 86 migrantes, de um total de mais de 300, entraram no enclave de Melilla, localizado a 400 quilómetros a leste.

Cerca de 4.000 migrantes foram devolvidos a Marrocos, tendo o Ministério do Interior espanhol anunciado o envio de reforços da polícia local para fazer frente ao fluxo maciço e repentino de milhares de migrantes no enclave espanhol.

Depois de a ministra dos Negócios Estrangeiros espanhola, Arancha González Laya, ter chamado a embaixadora marroquina em Espanha, Karima Benyaich, para expressar o desagrado pela situação, a diplomata foi também convocada por Rabat.

Ceuta e Melilla, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, são regularmente palco de tentativas de entrada de migrantes, mas a maré humana de segunda-feira não tem precedentes.

Embora Rabat seja um aliado fundamental de Madrid na luta contra a imigração ilegal, as relações diplomáticas entre os dois países deterioraram-se desde que Espanha recebeu, no final de abril, o líder dos separatistas saarauís da Frente Polisário, Brahim Gali, para ser tratado devido à covid-19, uma decisão que despertou a ira de Rabat.

Polícia marroquina encerra a passagem de fronteira com Ceuta

 A polícia marroquina encerrou hoje a passagem de fronteira de Tarajal, interrompendo o êxodo migratório que nos últimos dois dias permitiu que 8.000 migrantes ilegais entrassem em Ceuta, noticia a agência de notícias EFE.

Até agora, o Governo marroquino não se manifestou sobre o assunto.

Na terça-feira, centenas de pessoas concentraram-se em frente à passagem de Tarajal, aproveitando qualquer distração policial ou qualquer oportunidade para cruzar a fronteira.

Hoje, as pessoas estão a fazer o caminho inverso, para o sul, depois de se convencerem de que os acessos estão mesmo encerrados.

Como a EFE pôde verificar, o último pontão que separa Ceuta de Castillejos (por onde entraram milhares de pessoas nos últimos dias) está vazio, enquanto os migrantes que entraram em Ceuta estão a ser devolvidos a Marrocos.

Forças antimotim marroquinas não permitiram que ninguém se aproximasse do pontão, apesar das tentativas ocasionais de grupos de pessoas de avançar.

Segundo depoimentos recolhidos de candidatos à migração que pernoitaram no local, as autoridades marroquinas não lhes permitiram subir a colina para tentar entrar na parte mais próxima do bairro El Príncipe.

. / JGR