Desde o meio-dia, os mineiros já escavaram 3,15 metros dos 3,8 necessários para chegar até ao local onde terá caído Julen, de dois anos. Para tal foi necessário proceder a uma terceira microdetonação durante a manhã, "para avançar no túnel", explicou o porta-voz da Guardia Civil aos jornalistas, nesta sexta-feira.

Apesar de o subsolo ser de uma "complexidade extraordinária", segundo fonte da equipa de resgate citada pelo El País, nas últimas horas os mineiros encontraram uma superfície mais permeável à escavação, tendo por isso conseguido avançar no terreno, encontrando-se, agora, a 65 centímetros de alcançar o ponto onde se espera que esteja Julen.

Para tal podem, contudo, ser necessárias mais detonações.

Durante a manhã, Jorge Martín explicou que cada microdetonação implica uma espera de cerca de duas horas, uma vez que os mineiros, depois de abrirem os buracos necessários, têm de subir à superfície, para trocarem de lugar com os especialistas da Guardia Civil, responsáveis por colocar os explosivos e, já no exterior, detonarem a carga.

O processo dura hora e meia e, depois, precisa de mais meia hora para se introduzir ar e evacuar o ar contaminado", indicou.

O porta-voz da Guardia Civil sublinhou, então, aos jornalistas que "não há prazos", uma vez que o material rochoso é muito duro e podem ser necessárias mais microdetonações, apesar de, inicialmente, ter sido avançado um prazo de 24 horas.

A montanha manda no nosso trabalho", acrescentou.

E manda mesmo. De tempos a tempos, os mineiros têm de parar os trabalhos para que um geolocalizador confirme que estão a escavar na direção certa.

A equipa de mineiros, que está a escavar manualmente o túnel, está já a pouca distância de entrar na câmara onde Julen caiu. 

O presidente do Consórcio Provincial de Bombeiros de Málaga, Francisco Delgado Bonilla, assegurou aos jornalistas que os trabalhos de resgate são "difíceis" e estão a ser feitos pelos "melhores especialistas do país"

Bonilla assegurou ainda que tudo "foi planificado para garantir a segurança" e confirmou que os bombeiros estão a postos para ajudar a equipa de mineiros.

Estamos preparados para quando chegar a nossa hora de atuar, em conjunto com os mineiros que são os que têm de realizar o trabalho, prestar-lhes todo o apoio técnico e logístico necessário", acrescentou.

Julen, de dois anos, caiu num furo de prospeção de água às 14:00 de dia 13 de janeiro e, desde então, uma centena de pessoas participam na operação de resgate da criança.

Na passada quarta-feira, as autoridades espanholas localizaram vestígios biológicos que permitem ter a certeza de que o pequeno Julen está mesmo dentro do furo, depois de a versão dos pais ter sido colocada em causa.

Esta terça-feira, a justiça espanhola abriu uma investigação para conhecer as circunstâncias exatas em que o bebé de dois anos caiu no furo.

Catarina Machado / Notícia atualizada às 16:00