Os dois principais partidos independentistas da Catalunha chegaram a um pré-acordo para desbloquear o impasse e formar um governo de coligação, evitando a repetição de eleições nesta região de Espanha.

A Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), o partido separatista mais votado nas eleições regionais de 14 de fevereiro, informou esta segunda-feira que chegou a um acordo de princípio com o Juntos pela Catalunha (JxCat, direita) para desbloquear a investidura do independentista Pere Aragonès, do primeiro desses partidos.

As equipas de negociação das duas formações continuam esta segunda-feira a trabalhar para finalizar o acordo e anunciaram uma conferência de imprensa ao final da manhã para dar mais informações sobre o compromisso.

O anúncio é feito a nove dias do prazo limite para investir um novo presidente da Generalitat (governo regional) e assim evitar a repetição das eleições.

De acordo com o comunicado de imprensa da ERC, as duas partes pedem desculpa por terem levado tanto tempo para fechar o acordo e afirmam estar empenhadas em "construir um governo que procure reconstruir a confiança com os cidadãos da Catalunha, a máxima confiança entre parceiros e com a colaboração e trabalho conjunto com a CUP (Candidatura de Unidade Popular, extrema-esquerda anti-sistema)”.

O objetivo não é outro senão o de servir o país e o seu povo da melhor maneira possível, governar para todos e ao mesmo tempo e avançar para o objetivo comum da independência sob a forma da República Catalã", sublinha ainda o comunicado.

Três anos e meio após a tentativa fracassada de independência, em outubro de 2017, os partidos pró-independência reforçaram a sua maioria absoluta nas eleições regionais de fevereiro, com 74 dos 135 assentos do parlamento regional.

Mas a ERC (33 deputados) não pode fazer eleger o seu candidato, um advogado de 38 anos, sem o apoio de JxCat (32 lugares) e da CUP (9 lugares).

As relações entre a ERC e o JxCat, que governam a região em conjunto desde 2015, deterioraram-se desde a tentativa frustrada de independência de 2017, após a qual a ERC abandonou a estratégia de rutura unilateral com Madrid e optou pelo diálogo com o executivo de esquerda liderado por Pedro Sánchez.

Um acordo entre os partidos separatistas nesta região de Espanha assegurou a eleição como presidente do parlamento regional de Laura Borràs, do JxCat e um eventual acordo entre os mesmos partidos deveria também garantir como próximo presidente do Governo regional, Pere Aragonès.

Isto apesar de o PSC (Partido Socialista da Catalunha, associado ao PSOE) ter sido a formação mais votada e ter o mesmo número de deputados regionais (33) da ERC, formação que ficou em segundo lugar e que é a mais votada entre os partidos independentistas.

O PSC ganhou as eleições regionais catalãs (23,0% e 33 deputados), mas a soma dos partidos separatistas reúne a maioria absoluta dos votos, assim como dos lugares no parlamento regional, tendo a ERC (21,3%, 33 deputados) substituído o JxCat (20,0%, 32 lugares) como o maior partido independentista.

As eleições regionais de 14 de fevereiro também foram marcadas pela subida da extrema-direita espanhola do Vox, que ficou em quarto lugar com 7,6% e 11 deputados, seguida dos independentistas da CUP com 6,7% e nove deputados e o partido de extrema-esquerda En Comú Podem (associado ao Podemos) com 6,9% e oito deputados.

O grande perdedor das eleições foi o Cidadãos (direita-liberal), que nas eleições de 2017 concentrou o voto útil dos constitucionalistas (pela união de Espanha) que agora fugiu para o PSC, e desceu de 25,3% para de 5,5% e de 36 para apenas seis deputados.

Por último, o Partido Popular (PP, direita) obteve 3,8% e três lugares no novo parlamento regional.

. / JGR